Manobrista seguia ordens remotas para tratamento da água
Funcionário da academia agia sob orientações remotas e sem qualificação.
A morte trágica da professora Juliana Faustino Bassetto, que nadou na piscina da Academia C4 Gym em São Paulo, levanta questões sérias sobre a gestão de segurança nas instalações esportivas e a responsabilidade profissional no tratamento de águas. Juliana, de 27 anos, passou mal após a atividade e faleceu devido a suspeita de intoxicação, o que resultou em uma investigação aprofundada sobre as práticas adotadas na manutenção da piscina.
A falta de qualificação e as instruções remotas
O manobrista Severino Silva, responsável pela manutenção da piscina, atuava na academia há cerca de três anos, acumulando funções sem a devida capacitação técnica. Ele declarou à polícia que seguia instruções enviadas por um dos sócios da academia via WhatsApp, uma prática alarmante que destaca a falta de supervisão adequada.
O delegado Alexandre Bento informou que Severino enviava fotos e medições da piscina, recebendo orientações sobre a dosagem de produtos químicos, como cloro e elevadores de pH. Essa abordagem, além de inadequada, é potencialmente perigosa, principalmente sem a supervisão de um profissional qualificado. O uso inadequado de produtos químicos pode gerar reações adversas, colocando em risco a saúde dos usuários.
Circunstâncias da tragédia
Além de Juliana, outras nove pessoas estavam presentes durante a aula de natação, e várias delas precisaram de atendimento médico. O marido de Juliana, Vinicius de Oliveira, permanece internado em estado grave, assim como um adolescente de 14 anos. A academia foi interditada, e as investigações estão em andamento para apurar as responsabilidades.
Os investigadores estão analisando as mensagens trocadas pelo manobrista e os sócios da academia para verificar possíveis falhas na comunicação e orientações impróprias. A hipótese de que produtos químicos mais concentrados e de menor custo tenham sido utilizados também está sendo considerada, colocando em questão a ética e a segurança nas operações da academia.
Implicações legais e sociais
A defesa de Severino afirma que ele apenas cumpria ordens superiores, posicionando-o como uma “ferramenta” em um sistema que falhou em garantir a segurança dos alunos. A advogada do manobrista afirmou que ele agiu seguindo diretrizes e, portanto, não deve ser responsabilizado sozinho pela tragédia.
A repercussão do caso abriu um debate sobre a responsabilidade legal em situações semelhantes, destacando a necessidade de regulamentações mais rigorosas sobre a qualificação de profissionais que lidam com produtos químicos e a gestão de piscinas em academias e outras instalações recreativas.
Conclusão
A morte de Juliana Bassetto não é apenas uma tragédia pessoal, mas um alerta para a sociedade sobre a importância da responsabilidade e da segurança em ambientes de ensino e lazer. As investigações continuam, e a comunidade aguarda respostas sobre o que realmente ocorreu naquela fatídica aula de natação.
Fonte: portalleodias.com