Ação muda de venda para neutra com novo preço-alvo de R$ 273
Bradesco BBI eleva recomendação das ações da Azul após fim do Chapter 11.
A recente elevação da recomendação das ações da Azul (AZUL53) pelo Bradesco BBI marca um novo capítulo para a companhia aérea, que recentemente concluiu um complexo processo de reestruturação financeira. A recomendação passou de venda para neutra, com um novo preço-alvo estipulado em R$ 273, indicando um potencial de alta de cerca de 16% em relação ao fechamento anterior.
Contexto da Reestruturação da Azul
A reestruturação da Azul ocorreu durante o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, que durou de maio de 2025 até fevereiro deste ano. Essa reestruturação foi essencial para que a empresa pudesse se reorganizar financeiramente e reduzir significativamente sua carga de endividamento. Foram cerca de US$ 1,1 bilhão eliminados em dívidas de empréstimos, além de um corte de 40% nas obrigações relacionadas a arrendamentos de aeronaves. Os pagamentos anuais de juros, por sua vez, caíram em mais de 50% em comparação com o período anterior ao Chapter 11.
Detalhes da Nova Estrutura Financeira
Os analistas do Bradesco BBI ressaltam que a nova avaliação da companhia reflete uma melhora estrutural importante no perfil financeiro da Azul. Eles projetam que os gastos com leasing e arrendamentos serão reduzidos em cerca de um terço. O plano de recuperação foi viabilizado através da captação de cerca de US$ 1,375 bilhão em Sênior Notes e US$ 950 milhões em novos aportes de capital.
O preço-alvo de R$ 273 foi definido com base em múltiplos da relação entre o valor da empresa e o Ebitda, tendo como meta um múltiplo de 4,3 vezes para 2027, considerando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) do Ebitda em aproximadamente 6% até 2029. Apesar dos sinais de recuperação, os analistas alertam que a execução no médio prazo ainda pode apresentar desafios significativos.
Futuro e Impacto no Mercado
O CEO da Azul, John Rodgerson, comentou sobre a importância da disciplina financeira e da visão de longo prazo para a companhia após a saída do Chapter 11. Ele destacou que a empresa não enfrentou disputas com credores, o que facilitou o processo de reestruturação. A agilidade na conclusão da recuperação foi atribuída a um planejamento bem estruturado desde o início do processo. O CEO também reconheceu os desafios enfrentados pela companhia nos últimos anos, que incluem a pandemia, a alta dos juros e outros fatores externos.
Rodgerson afirmou que, ao contrário da Gol, que considerou uma possível saída da Bolsa após sua reestruturação, a Azul não está considerando tal opção, mesmo diante da diluição das ações durante o processo de recuperação. A estratégia atual da empresa se concentra na redução da alavancagem e na geração de caixa, fatores essenciais para garantir a sustentabilidade a longo prazo.
Com a análise do Bradesco BBI e os passos decisivos da Azul, o mercado poderá observar como a aérea se comportará nos próximos meses, especialmente em um cenário ainda saturado de incertezas econômicas.
Fonte: www.moneytimes.com.br