Análise sobre as expectativas de preços do açúcar e produção de etanol na safra 2026/27
A São Martinho prevê que os preços do açúcar devem reagir à tendência de maior destinação da cana para etanol na safra 2026/27.
A São Martinho (SMTO3) está se preparando para uma possível mudança no cenário do açúcar no Brasil, onde os preços estão em níveis historicamente baixos. Com a safra 2026/27 à vista, a empresa acredita que os preços do adoçante devem reagir em função de uma maior destinação da cana-de-açúcar para a produção de etanol, em vez de açúcar. Isso ocorre devido à atual estratégia de mercado que favorece a produção de etanol, que é vista como mais vantajosa por muitos investidores e produtores.
Contexto do Setor de Açúcar e Etanol no Brasil
O Brasil é um dos maiores produtores de açúcar e etanol do mundo, e a cana-de-açúcar é a principal matéria-prima para ambas as produções. Nos últimos anos, a demanda global por etanol, especialmente como alternativa ao combustível fóssil, tem estimulado os produtores a direcionarem uma porcentagem maior de sua cana para a produção de etanol. Essa mudança não só influencia os preços do açúcar, mas também tem implicações profundas para o agronegócio brasileiro, que depende da cana como uma de suas principais culturas. A safra do centro-sul é especialmente crucial, pois concentra a maior parte da produção nacional.
Expectativas para a Safra 2026/27
Felipe Vicchiato, o diretor financeiro e de Relações com Investidores da São Martinho, destaca que, conforme a oferta de açúcar diminui devido ao maior uso da cana para etanol, os preços do açúcar devem se ajustar para cima. Essa dinâmica se torna ainda mais relevante em um cenário onde a empresa pode voltar a fixar preços, oferecendo maior previsibilidade em suas operações. Vicchiato observa que os preços na bolsa de Nova York, atualmente em 14 centavos de dólar por libra-peso, não justificam estratégias de hedge neste momento, mas essa situação pode mudar rapidamente com a evolução do mercado.
O Impacto da Safra da Índia
Outro fator a ser considerado é a produção de açúcar na Índia, que também impacta o mercado global. A produção indiana pode influenciar não apenas os preços do açúcar, mas também a dinâmica de oferta e demanda em outros países, incluindo o Brasil. Este cenário de competição global adiciona uma camada de complexidade às previsões de preços, já que a resposta do mercado pode ser afetada por várias variáveis, como clima, políticas de exportação e mudanças na demanda internacional.
Conclusão
Em suma, a São Martinho antecipa uma possível valorização dos preços do açúcar na medida em que a safra de 2026/27 se aproxima, impulsionada pela maior produção de etanol. A dinâmica entre açúcar e etanol é um reflexo das mudanças nas preferências do mercado e das condições econômicas globais. À medida que as empresas se adaptam a esse novo cenário, os investidores e analistas devem acompanhar de perto essas tendências para entender melhor o futuro do setor.
Fonte: www.moneytimes.com.br