A dinâmica de preços no varejo farmacêutico brasileiro é fortemente influenciada por vetores sazonais. Durante os meses de alta temperatura e férias escolares, a curva de demanda por categorias específicas, como fotoproteção, repelentes e hidratação, sofre uma inclinação vertical. Durante os meses de alta temperatura e férias escolares, a curva de demanda por categorias específicas, como fotoproteção, repelentes e hidratação, sofre uma inclinação vertical.
Dados da Febrafar indicam que o volume de vendas desses itens pode crescer acima de 30% no período. Para o consumidor, esse fenômeno cria um cenário dúbio: ao mesmo tempo em que a indústria inunda o mercado com ofertas para ganhar market share, a ruptura de estoque em regiões litorâneas ou turísticas eleva os preços na ponta final da cadeia.
A compra técnica, portanto, deve ser tratada como uma etapa do planejamento de viagem, aproveitando a agressividade comercial dos grandes centros e do e-commerce antes do deslocamento.
Fotoproteção clínica e a matemática do FPS por volume
O protetor solar deixou de ser um cosmético para ser tratado como um EPI (Equipamento de Proteção Individual) contra a radiação UV. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda a aplicação de 2mg/cm² de pele, o que significa que um adulto em exposição solar consome um frasco padrão de 200ml em poucos dias. Financeiramente, isso exige a busca por embalagens econômicas ou kits familiares.
Nesse período, a indústria farmacêutica realiza a liberação dos espaços de estoques com “packs promocionais” (leve 3, pague 2). “packs promocionais” (leve 3, pague 2)
A análise técnica do consumidor deve focar no custo por mililitro. Muitas vezes, a versão “rosto e corpo” ou as embalagens hospitalares de 1 litro oferecem uma eficiência de custo superior às versões fracionadas, garantindo a cobertura da barreira cutânea sem comprometer a liquidez financeira da viagem.
Profilaxia vetorial: a escolha técnica do repelente baseada em concentração
O verão brasileiro coincide com o pico de transmissão de arboviroses (Dengue, Zika, Chikungunya), considerando as chuvas características do período e o aumento da proliferação de mosquitos a partir dos focos de água parada que surgem.
Substâncias como Icaridina, DEET e IR3535 possuem espectros de proteção e tempos de meia-vida distintos. Produtos com alta concentração de Icaridina (acima de 20%), por exemplo, oferecem até 10 horas de proteção, sendo ideais para áreas endêmicas, enquanto versões infantis possuem dosagens reduzidas e exigem reaplicação frequente, sendo esse um ponto de atenção crucial para compradores que são pais ou responsáveis por crianças;
Hidratação sistêmica e prevenção de desordens gastrointestinais
A farmácia de férias deve contemplar a saúde interna, com a aquisição de sais de reidratação oral (envelopes) e probióticos estabilizadores da flora intestinal tornando-se uma medida preventiva de baixo custo e alto impacto. Comprar esses itens preventivamente em campanhas de verão é significativamente mais barato do que adquiri-los na farmácia de plantão após o início dos sintomas.
Além disso, a inclusão de água termal e loções hidratantes com ativos calmantes (aloe vera, calamina) na lista de compras serve para restaurar a barreira lipídica da pele após a perda de água causada pelo sol e sal, prevenindo descamação e envelhecimento precoce.
A inclusão de água termal e loções hidratantes com ativos calmantes (aloe vera, calamina) na lista de compras serve para restaurar a barreira lipídica da pele após a perda de água transepidérmica causada pelo sol e sal, prevenindo descamação e envelhecimento precoce.
Gerenciamento térmico de dermocosméticos e estabilidade
As promoções de verão frequentemente envolvem produtos sensíveis ao calor, como águas termais, hidratantes pós-sol e repelentes.
A aquisição antecipada exige, contudo, rigor no transporte. Um erro comum é comprar o estoque promocional e deixá-lo no porta-malas do carro sob sol forte durante a viagem. A temperatura interna de um veículo pode ultrapassar 60°C, o que é suficiente para quebrar a emulsão de cremes e inativar filtros solares químicos.
O consumidor técnico deve tratar esses insumos com o mesmo cuidado de alimentos perecíveis: o transporte deve ser feito no habitáculo do veículo (com ar condicionado) ou em bolsas térmicas, garantindo que a estabilidade química do produto e consequentemente sua eficácia clínica, chegue intacta ao destino.
A lógica dos kits de primeiros socorros para traumas menores
O período de férias aumenta estatisticamente a incidência de pequenos traumas (cortes, escoriações, queimaduras de água-viva) e intoxicações alimentares. A montagem de uma farmácia de viagem não deve ser reativa. A compra programada de antissépticos, curativos avançados (hidrocoloides), anti-histamínicos e reidratantes orais deve seguir a lógica de “kit de sobrevivência”.
No varejo online, a montagem desse bundle (pacote) durante campanhas sazonais permite uma redução significativa no ticket médio. A compra fracionada desses itens na farmácia de plantão da praia custará invariavelmente mais caro. A inteligência de consumo está em prever os riscos comuns da atividade de lazer e estocar as soluções preventivamente.
Validade e rotação de estoque sazonal
Um ponto de atenção nas ofertas de fim de ano e verão é a data de validade (shelf life). Varejistas utilizam o pico de demanda para girar estoques de produtos solares fabricados no ano anterior. Embora a venda seja legal, o consumidor deve verificar se a validade cobre todo o período de uso pretendido.
Protetores solares vencidos perdem a capacidade de filtrar a radiação UV de forma homogênea, criando uma falsa sensação de segurança. Ao adquirir múltiplos frascos em promoção, a inspeção do lote é mandatória para garantir que a economia financeira não resulte em eritema (queimadura) solar por ineficácia do produto.
Referências:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE REDES DE FARMÁCIAS E DROGARIAS (ABRAFARMA). Notícias e Indicadores do Varejo Farmacêutico. Disponível em: https://www.abrafarma.com.br/noticias.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS REDES ASSOCIATIVISTAS E INDEPENDENTES DE FARMÁCIAS (FEBRAFAR). Análises de Mercado e Sazonalidade. Disponível em: https://www.febrafar.com.br/noticias/.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA (SBD). Consenso Brasileiro de Fotoproteção: recomendações técnicas. Disponível em: https://www.sbd.org.br/doencas/cuidados-com-a-pele-no-verao/.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Prevenção de Acidentes e Intoxicações na Infância (Repelentes e Proteção). Disponível em: https://www.sbp.com.br/departamentos-cientificos/seguranca-da-crianca-e-do-adolescente/.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Resolução RDC nº 30, de 1º de junho de 2012 (Regulamento Técnico sobre Protetores Solares em Cosméticos). Disponível em: https://antigo.anvisa.gov.br/legislacao#/visualizar/28552.