Parlamentar do PL-CE desmerece documento em sessão na Alece
Dra. Silvana rasgou o pacto nacional contra feminicídio, alegando que não inclui o papel das igrejas no combate à violência.
A recente atitude da deputada estadual Dra. Silvana (PL-CE) ao rasgar o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), trouxe à tona um debate crucial sobre a eficácia das medidas propostas para o combate à violência contra a mulher no Brasil. Em um discurso polêmico, a parlamentar criticou a exclusão das igrejas do pacto, argumentando que isso compromete a efetividade do documento no enfrentamento do feminicídio.
O contexto do pacto contra feminicídio
O Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio foi lançado pelo governo federal em um evento que contou com a presença de representantes dos Três Poderes. O objetivo principal do pacto é acelerar a implementação de medidas protetivas e fortalecer as redes de apoio às mulheres vítimas de violência. No entanto, a inclusão das igrejas como instituições ativas nesse processo foi ponto de controvérsia, refletindo a visão da deputada e o papel que a religião desempenha na sociedade brasileira.
A crítica da deputada Silvana se alinha a uma perspectiva conservadora, que busca o retorno de valores tradicionais no combate à violência, enfatizando a família e a religião como pilares fundamentais. Para ela, a falta de envolvimento das igrejas indica um desvio na abordagem do governo, que segundo ela, não tem conseguido deter o aumento das taxas de feminicídio no país.
As reações políticas
A atitude de Dra. Silvana gerou uma onda de reações. A deputada estadual Larissa Gaspar (PT-CE) repudiou o ato e defendeu a importância do pacto, ressaltando que ele representa uma institucionalização necessária no combate ao feminicídio. Gaspar também destacou que a colaboração de diversos setores, incluindo as igrejas, é fundamental, mas que a destruição do pacto não é a maneira apropriada de buscar essa participação.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que lançou o pacto, foi alvo de críticas por sua abordagem no enfrentamento do feminicídio. Dados do Ministério da Justiça indicam que, em 2025, o Brasil atingiu o maior número de feminicídios da história, com pelo menos 1.470 mulheres assassinadas, o que levanta questões sobre a eficácia das políticas públicas atuais e a necessidade de um comprometimento mais profundo de todos os setores da sociedade.
Impacto e desafios futuros
O desafio que se coloca agora é como integrar as vozes das instituições religiosas no enfrentamento ao feminicídio, sem que isso signifique deslegitimar outras abordagens já estabelecidas. O pacto, além de buscar uma resposta rápida a casos de violência, visa também promover uma mudança cultural que enfrente o machismo estrutural e a violência digital contra mulheres.
A crítica de Dra. Silvana pode ser vista como um reflexo das tensões sociais em torno do feminismo e da luta pela igualdade de gênero no Brasil. À medida que as discussões sobre o papel da religião e da política na proteção das mulheres se intensificam, será crucial avaliar como essas dinâmicas influenciam as políticas públicas e a sociedade em geral.
Conclusão
O ato de rasgar o pacto contra o feminicídio por parte da deputada Dra. Silvana não é apenas um gesto simbólico, mas um indicador das divergências sobre como o Brasil deve abordar a questão da violência de gênero. Enquanto o governo busca implementar políticas de proteção, a resistência e o debate sobre o papel das igrejas e da família continuarão a moldar o cenário da luta contra o feminicídio no país.
Fonte: www.metropoles.com