HUOP introduz polilaminina para tratamento de lesão medular

Inovação no tratamento de traumas raquimedulares está em fase experimental

HUOP realiza aplicação de polilaminina em paciente com lesão raquimedular.

O Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) deu um passo significativo na medicina regenerativa ao realizar, no último sábado, a aplicação de polilaminina em um paciente de 23 anos que sofreu um grave acidente resultando em lesão medular. O procedimento foi necessário após uma cirurgia de descompressão das vértebras T3 e T4 e o tratamento de uma ruptura na vértebra T3, mostrando uma abordagem inovadora em um momento crítico.

A origem do tratamento experimental

A polilaminina é um produto desenvolvido pelo Laboratório Cristália, com a pesquisa liderada pela bióloga Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Este medicamento é uma matriz biológica que promete facilitar a reconexão neural, essencial para a regeneração das fibras nervosas danificadas. A aplicação do medicamento foi feita por meio de um mecanismo de uso compassivo, regulado pela Anvisa, que visa oferecer acesso a tratamentos experimentais quando não há alternativas eficazes disponíveis para os pacientes.

Em lesões medulares agudas, como a que acometeu o paciente do HUOP, o tempo é um fator crítico. A janela biológica, antes da formação de fibrose extensa, é fundamental para a eficácia do tratamento. Portanto, a intervenção precoce é vital e pode ter um impacto significativo na recuperação do paciente.

Detalhes do procedimento

O neurocirurgião Lázaro de Lima, que participou do procedimento, destacou a importância da avaliação criteriosa que levou à aplicação da polilaminina. “Após a estabilização do paciente, verificamos que ele preenchia os requisitos para o uso do medicamento. Organizamos toda a documentação necessária e solicitamos a autorização da Anvisa”, afirmou. Isso ressalta não apenas o papel inovador do HUOP no tratamento de lesões severas, mas também a responsabilidade que envolve a administração de terapias experimentais.

Após a aplicação, o paciente não está fora de perigo. O acompanhamento clínico é crucial e incluirá exames periódicos e reabilitação multiprofissional. O tratamento envolverá fisioterapia intensiva e avaliações neurológicas, com o objetivo de monitorar as respostas motoras e ajustar a abordagem terapêutica conforme necessário.

O futuro da polilaminina e suas implicações

Embora ainda esteja em fase experimental, a polilaminina oferece uma nova esperança para pacientes com lesões medulares, que geralmente resultam em comprometimento motor e sensitivo. O diretor geral do HUOP, Rafael Muniz de Oliveira, destacou a importância de ações pioneiras como essa, que não apenas beneficiam os pacientes, mas também aprimoram a formação médica através da pesquisa.

A polilaminina é derivada da laminina, uma proteína essencial para a estrutura celular que desempenha um papel crucial no crescimento dos axônios. Quando ocorre uma lesão na medula, os axônios podem ser severamente prejudicados, e o uso de polilaminina promete criar um ambiente favorável à recuperação.

À medida que os estudos clínicos avançam, a esperança é que a polilaminina possa um dia ser uma opção de tratamento comercialmente disponível, transformando a vida de muitos que sofrem com lesões medulares. As pesquisas realizadas até o momento têm mostrado resultados promissores e a recente autorização pela Anvisa para o início dos estudos clínicos de fase 1 é um passo significativo. O potencial de registrar o medicamento, caso os estudos se mostrem bem-sucedidos, abre um novo capítulo na abordagem de tratamentos para lesões raquimedulares.

Fonte: www.parana.pr.gov.br

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