Cortes na Selic: BTG projeta 3 pontos em 2026, mas alerta sobre riscos

Análise das perspectivas econômicas e políticas para o Brasil em 2026

BTG Pactual prevê cortes na Selic em 2026, mas destaca riscos fiscais e incertezas eleitorais que podem limitar a redução.

Após a manutenção da Selic em 15% ao ano pelo Copom, o grande questionamento no mercado é sobre a magnitude dos cortes que podem ocorrer ao longo de 2026. Tiago Berriel, sócio e estrategista-chefe do BTG Pactual, apresenta um cenário base que antecipa uma redução total de 3 pontos percentuais na taxa básica de juros, e uma possível diminuição acumulada de até 4,5 pontos em um horizonte mais longo.

Cenário Econômico e Eleições

A análise foi realizada durante um painel na CEO Conference 2026, mediado por Stefanie Birman. Berriel enfatiza que o contexto atual é repleto de incertezas, especialmente devido ao ano eleitoral, que tende a aumentar a volatilidade do mercado. Ele explica: “É muito difícil prever a trajetória dos juros este ano porque tem muita coisa acontecendo. Nunca tivemos, em ano eleitoral, uma perspectiva de ciclo tão grande”.

Para ele, o Banco Central deve adotar uma postura cautelosa, iniciando com cortes de 50 bps (0,5 ponto percentual). Ele acredita que casos de eleições tranquilas podem abrir espaço para cortes mais agressivos na Selic, mas ressalta que isso está condicionado à estabilidade fiscal e à ausência de eventos inesperados que possam impactar o câmbio e a economia.

Desafios Fiscais e Contas Públicas

No mesmo painel, Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG, destacou a relevância da situação fiscal do Brasil. Ele advertiu que o crescimento dos gastos públicos nos últimos anos tem sido alarmante, com uma elevação de 20% nas despesas federais em quatro anos. Almeida afirma que essa situação, somada ao crescente déficit nominal do país, que deve chegar a 8,5% do PIB, resulta em uma das mais altas taxas de juros globais.

“Os países como França e EUA apresentam déficits menores. Precisamos urgentemente de controle de gastos para evitar que a inflação dispare novamente e leve as taxas de juros a patamares insustentáveis”, declarou Almeida. Ele também alertou que, sem uma reforma fiscal voltada para a redução de despesas, será complicado criar um ambiente propício para cortes na taxa de juros.

Expectativas para o Futuro

A visão de Almeida sobre o crescimento potencial do Brasil é pessimista. Ele aponta que, com uma força de trabalho crescendo apenas 0,8% ao ano e a produtividade estagnada, é desafiador imaginar um crescimento do PIB acima de 1,5%. “Crescer 2% será uma tarefa hercúlea se não houver mudanças significativas”, destacou o economista.

Almeida menciona que as estratégias adotadas nos últimos anos não podem ser repetidas. A necessidade de um ajuste fiscal focado em conter despesas se torna cada vez mais evidente para garantir a estabilidade econômica e evitar um aumento das taxas de juros.

Influências Externas

Além das dinâmicas internas, o cenário internacional também desempenha um papel crucial. Eduardo Loyo, sócio do BTG, argumenta que os EUA devem manter uma postura mais rigorosa em relação à política monetária, com o objetivo de conter a inflação. Ele acredita que as condições para cortes de juros nos EUA são mais desafiadoras do que no Brasil, o que pode impactar o fluxo de capitais e a economia brasileira.

O apelo da redução das taxas de juros nos EUA contrasta com a necessidade de não prejudicar o mercado. Essa interdependência econômica evidencia como as decisões de política monetária nos EUA podem reverberar no Brasil, especialmente em um ano que promete ser marcado por incertezas e volatilidade.

O futuro econômico brasileiro, portanto, enfrenta um dilema complexo: enquanto há espaço para cortes na Selic, os riscos fiscais e a instabilidade política podem limitar ou até inibir a pródiga redução das taxas de juros, vital para o crescimento e a recuperação econômica do país.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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