Imposto de Renda exige organização o ano todo, alerta especialista

Planejamento contínuo, atenção a mudanças de renda e controle de documentos são essenciais para evitar erros, malha fina e surpresas na declaração

O Imposto de Renda (IR) não deve ser tratado como uma obrigação concentrada apenas no período de entrega da declaração. Segundo Filipe Eduardo Guedes, coordenador dos cursos de Gestão e docente do curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário de Pinhais – FAPI, o IR é um processo que se constrói ao longo de todo o ano, de janeiro a dezembro, e exige organização contínua por parte do contribuinte.

“O principal ponto é entender que o Imposto de Renda não se resolve apenas com a entrega da declaração no prazo. Ele depende de um controle consistente de documentos, rendimentos e despesas ao longo de todo o ano”, explica.

Deixar a organização para a última hora, segundo o especialista, aumenta significativamente o risco de erros, omissões e inconsistências. A pressa pode levar ao esquecimento de rendimentos de dependentes, informes financeiros ou despesas dedutíveis, o que eleva as chances de cair na malha fina.

Entre as boas práticas recomendadas está a criação de uma pasta física ou digital — preferencialmente em nuvem — para o armazenamento de comprovantes ao longo do ano. Para quem consegue manter uma rotina de acompanhamento, uma revisão trimestral dos documentos já ajuda a reduzir retrabalho e correções na época da declaração.

Calendário pessoal do IR ajuda a evitar surpresas – O professor também orienta que o contribuinte estruture um “calendário pessoal do Imposto de Renda”, dividido em etapas. Janeiro e fevereiro devem ser dedicados à organização dos informes de rendimentos do ano anterior. Ao longo do ano, é fundamental acompanhar mudanças como troca de emprego, inclusão de dependentes, despesas dedutíveis, resgates e novos investimentos. Já dezembro deve ser visto como prazo final para ajustes em investimentos e previdência privada que impactam diretamente a base de cálculo do imposto.

Mudanças nas regras tributárias também exigem atenção antecipada – Alterações em faixas de isenção ou limites de dedução impactam o fluxo de caixa e a estratégia financeira do contribuinte. “Conhecer essas regras com antecedência evita surpresas no saldo final da declaração”, alerta Guedes.

Outro ponto de atenção é a evolução patrimonial. Aquisição de bens ou entrada de recursos precisa ser compatível com a renda declarada. Caso contrário, o contribuinte pode enfrentar questionamentos futuros da Receita Federal.

Previdência privada exige cuidado redobrado – Para quem possui planos de previdência complementar, o controle dos aportes ao longo do   é essencial. No modelo completo de declaração, contribuições ao PGBL podem ser deduzidas até o limite de 12% da renda bruta anual. Valores acima disso não geram benefício fiscal e precisam ser corretamente informados.

Também é fundamental compreender o regime tributário escolhido — progressivo ou regressivo. No regime regressivo, a tributação é definitiva e depende do tempo de permanência do recurso investido. Já no progressivo, os valores entram na base de cálculo geral do imposto. Erros nessa classificação costumam gerar pendências imediatas no processamento da declaração.

Entre os equívocos mais comuns estão a tentativa de deduzir valores aplicados em VGBL, o esquecimento de declarar o saldo desse tipo de plano em “Bens e Direitos” e a informação incorreta de resgates em fichas inadequadas.

Tecnologia é aliada do contribuinte – Para manter a organização em dia, Guedes recomenda hábitos simples, como digitalizar recibos assim que recebê-los, utilizar a declaração pré-preenchida para conferência das informações já conhecidas pela Receita Federal e realizar um checklist semestral de documentos.

“A tecnologia hoje joga a favor do contribuinte. O cruzamento de dados é automático e rápido. Por isso, organização e transparência deixaram de ser apenas boas práticas e passaram a ser necessidades para a segurança financeira”, conclui.

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