A relação entre o Banco Master e o BRB levanta questões sobre gestão e compliance
A auditoria no BRB revela conexões suspeitas com Daniel Vorcaro, gerando investigação sobre ex-gestores.
A recente auditoria instalada no Banco de Brasília (BRB) para analisar suas operações envolvendo o Banco Master trouxe à tona uma série de suspeitas sobre a atuação de antigos gestores da instituição, notadamente Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Informações de fontes próximas ao banco indicam que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seus antigos sócios, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, se tornaram acionistas do BRB de maneira oculta, utilizando fundos de investimento enquanto o BRB expandia seu capital com uma oferta de ações que arrecadou R$ 1 bilhão em 2024.
Contexto: A complexidade da operação
A atuação dos fundos que permitiram essa participação acionária oculta levanta questões críticas sobre a governança do BRB. Os investigadores desconfiam que essa estratégia tinha como objetivo aumentar a capacidade de negócios do BRB com o Banco Master, o que poderia beneficiar Vorcaro e seus sócios. O inquérito da Polícia Federal se concentra em determinar se a gestão anterior do BRB tinha conhecimento da verdadeira propriedade dos fundos e se isso facilitou a inclusão de pessoas investigadas pela operação Compliance Zero como acionistas da instituição.
Uma das principais preocupações é se essas movimentações financeiras configuram gestão fraudulenta e temerária. A conexão entre a entrada de novos acionistas e a compra de carteiras fraudulentas do Banco Master é um ponto central da investigação, que examina se a estrutura oculta foi projetada para evitar a detecção por parte do Banco Central.
Detalhes da investigação
A auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico da Kroll, encontrou indícios de que os aumentos de capital do BRB em 2024, que somaram R$ 1 bilhão, foram utilizados para facilitar o acesso de Vorcaro e seus sócios ao BRB. Os aumentos de capital incluíram uma primeira oferta de R$ 250 milhões seguida por outra de R$ 750 milhões, onde fundos como Borneo e Deneb adquiriram ações significativas. Essas operações têm ligação com as investigações do Master, cujo esquema de fraude é investigado pela PF.
A PF está especialmente interessada em entender por que Vorcaro optou por essa complexa estrutura de fundos em vez de realizar uma compra direta das ações. A defesa de Costa alegou que ele não tinha conhecimento das estruturas ocultas e que a operação estava dentro das normas estabelecidas, mas a falta de clareza sobre a verdadeira propriedade dos fundos tem gerado desconfiança.
Impacto e desdobramentos futuros
A revelação da conexão entre ex-gestores do BRB e o Banco Master pode ter sérias repercussões. O BRB já declarou ter encontrado “achados relevantes” na auditoria até agora, e a continuidade das investigações pode resultar em condições de governança mais rígidas para as instituições financeiras no Brasil. A auditoria está programada para ser concluída até abril de 2026, com atualizações mensais sendo entregues ao banco.
Além disso, a participação de Mansur como acionista do BRB, com 4,5% do capital, e sua recente saída como presidente do conselho da Reag para conter crises de credibilidade após a operação Carbono Oculto, indicam uma rede de relacionamentos complexa e potencialmente comprometedora no mercado financeiro. A relação entre ex-gestores e os atuais acionistas do BRB poderá influenciar as futuras relações de negócios e a confiança do mercado nas instituições financeiras.
Diante desse cenário, a situação exige atenção redobrada por parte dos investidores e reguladores, que devem monitorar as movimentações e garantir que a transparência e a responsabilidade sejam priorizadas nas operações financeiras.