Descobertas na Austrália destacam evolução dos vertebrados marinhos.
Análises recentes de fósseis na Austrália revelam a existência de anfíbios marinhos gigantes há 250 milhões de anos.
Ao investigar fósseis de anfíbios marinhos encontrados no noroeste da Austrália, cientistas descobriram que, há 250 milhões de anos, a Terra era habitada por dois gigantes do reino animal. Esses espécimes, que pertencem aos gêneros Erythrobatrachus e Aphaneramma, foram descobertos nas décadas de 1960 e 1970 na região de Kimberley, mas seu valor científico só foi completamente compreendido recentemente, após análises que começaram em 2024.
O Contexto dos Fósseis
Os fóssilizados Erythrobatrachus e Aphaneramma são parte dos primeiros vertebrados marinhos que possuíam membros, emergindo como predadores aquáticos dominantes após a extinção em massa que marcou a transição entre as eras Paleozoica e Mesozoica. O estudo dos fósseis fornece uma janela para entender a diversificação inicial da vida vertebrada nos mares antigos, onde esses anfíbios se tornaram essenciais para o ecossistema aquático.
Detalhes das Descobertas
O Museu Sueco de História Natural, em colaboração com o Museu da Austrália Ocidental e universidades dos EUA, publicou os resultados das pesquisas em 22 de fevereiro de 2026, na renomada revista Journal of Vertebrate Paleontology. Inicialmente, os pesquisadores acreditavam que os fragmentos encontrados pertenciam a uma única espécie, a Erythrobatrachus noonkanbahensis, que era semelhante a crocodilos, podendo alcançar até dois metros de comprimento. A nova análise, no entanto, revelou que os fósseis eram de dois gêneros distintos, Erythrobatrachus e Aphaneramma.
Investigações detalhadas indicaram que o crânio do Erythrobatrachus tinha cerca de 40 cm, enquanto o Aphaneramma apresentava um focinho longo e estreito, adequado para a captura de pequenos peixes. Embora ambos os gêneros habitassem o mesmo ambiente aquático, eles não competiam pelos mesmos recursos alimentares, o que sugere uma diversidade ecológica significativa entre os predadores da época.
Impactos e Consequências
As descobertas dos fósseis não apenas reescrevem a história da biodiversidade marinha, mas também levantam questões sobre a dispersão e a adaptabilidade dos anfíbios na era Mesozoica. Exemplares do Aphaneramma foram encontrados em várias regiões, incluindo o Oceano Ártico e partes da Rússia, indicando que esse gênero pode ter desempenhado papéis ecológicos variados conforme se expandia por diferentes ambientes. Os fósseis foram devolvidos às autoridades australianas, que decidirão o futuro dos fragmentos, garantindo que essa parte vital da história natural seja preservada para futuras investigações.
Essas descobertas não apenas ampliam nosso entendimento sobre a pré-história, mas também ressaltam a importância da pesquisa paleontológica em desvendar os mistérios da vida na Terra e a evolução dos seus habitantes marinhos.
Fonte: www.metropoles.com