Avaliação positiva reflete reestruturação financeira da companhia
A agência S&P elevou a nota de crédito da Azul para B-, após reestruturação financeira que cortou a dívida em 40%.
A Standard & Poor’s (S&P) anunciou a elevação da classificação de crédito da Azul (AZUL53) para B-, ainda em grau especulativo. A revisão ocorre em um contexto de recuperação da companhia após uma significativa reestruturação financeira realizada sob o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. A perspectiva foi definida como estável, o que indica um otimismo moderado em relação ao futuro financeiro da empresa.
Reestruturação Financeira e Melhora nas Perspectivas
A elevação da nota é resultado direto da redução da dívida da Azul em aproximadamente US$ 1,1 bilhão. Além disso, a companhia conseguiu cortar as obrigações com leasing em cerca de US$ 1 bilhão, representando uma diminuição de 40% na dívida bruta ajustada. Segundo a S&P, espera-se que a alavancagem, medida pela relação da dívida sobre o Ebitda, fique entre 3 e 3,5 vezes para o ano corrente. Esse valor era superior a 6 vezes nos anos anteriores, o que demonstra uma melhoria significativa na saúde financeira da empresa.
A agência também ressalta que a perspectiva estável reflete a expectativa de continuidade de uma performance operacional sólida, além de uma estrutura de capital mais leve e com alavancagem controlada. A Azul, que tem enfrentado desafios nos últimos anos devido à pandemia e suas consequências, agora apresenta sinais de recuperação que podem ser sustentáveis a longo prazo.
Resultados Financeiros Recentes
Os resultados financeiros da companhia corroboram essa melhora. Em dezembro, a Azul reportou uma receita líquida total de R$ 2,09 bilhões, com um resultado operacional ajustado que atingiu R$ 546,4 milhões. A margem operacional da empresa foi de 26,2%, um indicativo de eficiência operacional em um ambiente ainda desafiador.
Além disso, o Ebitda ajustado totalizou R$ 801,9 milhões, resultando em uma margem de Ebitda ajustada de 38,5%.
Ao final de dezembro, a Azul tinha um caixa considerável, somando R$ 1,01 bilhão em caixa e equivalentes, além de R$ 2,72 bilhões em contas a receber. Esses números mostram que, apesar da reestruturação, a empresa mantém uma posição de liquidez que pode ajudar na continuidade de suas operações e na implementação de suas estratégias de crescimento.
Expectativas e Implicações Futuras
A melhora na classificação de crédito não apenas reforça a confiança dos investidores na Azul, mas também pode impactar diretamente as condições de financiamento da companhia. Com uma classificação de crédito mais alta, a Azul pode obter melhores taxas em novos empréstimos, o que, por sua vez, pode facilitar futuros investimentos em expansão e modernização da sua frota.
Além disso, a manutenção de uma estrutura de capital saudável será crucial para a empresa nos próximos anos, especialmente em um setor aéreo ainda em processo de recuperação. A continuidade do crescimento na receita e a gestão eficaz das despesas serão fundamentais para garantir que a Azul não apenas mantenha sua nova classificação, mas também busque uma melhoria contínua em sua performance financeira.
Conclusão
A elevação da nota de crédito da Azul pela S&P é um marco importante na trajetória de recuperação da empresa e reflete um contexto otimista, embora cauteloso. Com uma liquidez adequada e uma perspectiva de crescimento controlada, a companhia aérea está posicionado para enfrentar futuros desafios e potencialmente restabelecer-se como um dos principais players do setor aéreo brasileiro.
Fonte: www.moneytimes.com.br