Vacina contra herpes zóster pode ir além da prevenção e contribuir para um envelhecimento mais saudável

Estudo internacional indica associação entre imunização e marcadores de envelhecimento biológico mais lento

Elisa Lino, enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne

Conhecida por prevenir o herpes zóster, doença popularmente chamada de cobreiro e marcada por dor intensa e possíveis complicações neurológicas, a vacina contra o vírus tem ganhado um novo protagonismo na ciência. Pesquisas recentes indicam que a imunização pode estar associada a benefícios que vão além da proteção direta, contribuindo para um envelhecimento biológico mais saudável.

Um estudo publicado na revista científica The Journals of Gerontology: Series A analisou dados de mais de 3.800 adultos com 70 anos ou mais e observou que pessoas vacinadas contra o herpes zóster apresentaram marcadores biológicos de envelhecimento mais lentos, incluindo menores níveis de inflamação sistêmica, processo conhecido como inflammaging, diretamente associado ao surgimento de doenças crônicas relacionadas à idade.

“A vacinação sempre foi vista como uma ferramenta de prevenção, mas estudos como esse ampliam nosso olhar sobre o papel das vacinas na promoção da saúde ao longo da vida”, explica Elisa Lino, enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne. “Quando falamos em envelhecimento saudável, estamos falando de qualidade de vida, autonomia e bem-estar, e a imunização pode ser uma aliada importante nesse processo.”

Como funciona a vacina contra herpes zóster

Atualmente, a vacina mais utilizada contra o herpes zóster é indicada para adultos a partir dos 50 anos, além de pessoas imunocomprometidas, conforme avaliação médica. O esquema vacinal é composto por duas doses, aplicadas por via intramuscular, com intervalo recomendado de dois a seis meses entre as aplicações.

“É uma vacina não viva, com excelente perfil de segurança e alta eficácia, inclusive em pessoas mais velhas”, detalha Elisa. “O esquema completo é fundamental para garantir a proteção adequada e reduzir significativamente o risco da doença e de complicações como a nevralgia pós-herpética, que pode causar dor persistente por meses ou até anos.”

Os pesquisadores também identificaram que indivíduos vacinados apresentaram pontuações mais baixas em indicadores genéticos e moleculares de envelhecimento, sugerindo um impacto positivo em múltiplos sistemas do organismo. Embora os autores ressaltem que a vacina não impede o envelhecimento, os achados reforçam a importância da prevenção como estratégia de saúde a longo prazo.

“Esses dados não significam que a vacina ‘rejuvenesce’, mas indicam que manter o sistema imunológico protegido pode ajudar o organismo a envelhecer de forma mais equilibrada”, reforça Elisa Lino. “É um avanço importante na forma como pensamos a vacinação: não apenas como proteção pontual, mas como parte do cuidado integral com a saúde.”

Especializada em imunização para todas as fases da vida, a Clínica Vacinne reforça a importância de avaliar o calendário vacinal na vida adulta, fase em que muitas vacinas acabam sendo negligenciadas. “A vida adulta também exige atualização vacinal. Muitas pessoas só procuram a vacinação quando já estão doentes ou diante de uma viagem, mas o ideal é atuar de forma preventiva. Vacinar-se é investir em saúde hoje e no futuro”, conclui Elisa.

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