Prefeita Margarida Salomão destaca a urgência de intervenções na cidade após tragédias recentes
Uma em cada quatro pessoas em Juiz de Fora mora em áreas de risco, segundo a prefeita Margarida Salomão.
Uma em cada quatro pessoas que habitam Juiz de Fora (MG) enfrenta riscos significativos em suas moradias, conforme declarou a prefeita Margarida Salomão (PT) em coletiva realizada nesta sexta-feira (27). Esta alarmante estatística surge em um momento de crise, após fortes chuvas que resultaram em deslizamentos e enchentes, levando à morte de 64 pessoas, sendo 58 em Juiz de Fora e seis na cidade vizinha de Ubá.
Contexto das áreas de risco em Juiz de Fora
As condições geográficas de Juiz de Fora, que abriga várias áreas construídas em encostas e regiões montanhosas, colocam suas habitações em uma vulnerabilidade constante. Historicamente, cidades como Juiz de Fora, assim como Petrópolis e Angra dos Reis, têm enfrentado desastres naturais relacionados a ocupações irregulares e à falta de planejamento urbano. A prefeita destacou que a problematização das áreas de risco não se restringe apenas às comunidades de baixa renda, mas também abrange classes sociais mais altas, que frequentemente ocupam locais de risco em busca de vistas privilegiadas.
Detalhes da tragédia e respostas oficiais
Durante a entrevista no programa Alô Alô Brasil, Margarida relatou que um deslizamento em uma casa de classe média resultou na morte de um morador, o que evidencia a gravidade da situação. Diante dos desafios de convencer os residentes a deixarem suas casas, muitas vezes construídas com sacrifício ao longo de anos, a prefeita enfatizou a necessidade de um trabalho sensível e cuidadoso para promover a relocação dessas famílias.
Em resposta ao desastre, o presidente Lula (PT) programou uma visita a Juiz de Fora no sábado (28), onde sobrevoará as áreas afetadas e se reunirá com líderes locais. O governo federal já reconheceu o estado de calamidade pública na região, liberando mais de R$ 3 milhões para ações de emergência e reconstrução. Além disso, os moradores afetados terão a opção de acessar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar na recuperação financeira, com um limite de até R$ 6.220.
O futuro e as intervenções necessárias
Com mais de 500 pessoas abrigadas e cerca de 5 mil desalojadas, a prefeitura está priorizando a assistência emergencial, mas também se preparando para intervenções urbanas necessárias para mitigar os riscos futuros. A prefeita afirmou que, apesar do foco no atendimento imediato, é imperativo que Juiz de Fora implemente medidas estruturais para garantir a segurança e a habitabilidade da cidade a longo prazo.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta para chuvas intensas na Zona da Mata, com previsão de precipitações que podem alcançar até 100 mm por dia, além de ventos fortes. A situação exige vigilância constante, pois a possibilidade de novos deslizamentos e alagamentos ainda persiste, trazendo à tona a importância de um planejamento urbano mais eficaz e inclusivo para prevenir novas tragédias.
A situação em Juiz de Fora serve como um forte alerta sobre a necessidade de repensar as políticas de habitação e o desenvolvimento urbano no Brasil, especialmente em regiões propensas a desastres naturais.
Fonte: jovempan.com.br