Estratégias dos investidores brasileiros em meio ao fluxo estrangeiro

Análise de André Jakurski sobre o cenário econômico atual

André Jakurski destaca a importância do fluxo estrangeiro no mercado brasileiro.

O mercado financeiro brasileiro atravessa um período de intensa movimentação, impulsionado principalmente pelo fluxo de capital estrangeiro. Durante o CEO Conference Brasil 2026, o sócio-fundador da JGP, André Jakurski, destacou que a regra fundamental para o investidor brasileiro neste contexto é alinhar-se às ações dos investidores estrangeiros. “A regra número 1 no Brasil é fazer o que o gringo está fazendo. Se está entrando dinheiro na bolsa, compra”, afirmou Jakurski, sublinhando a necessidade de adaptação às dinâmicas do mercado global.

O fluxo estrangeiro e suas implicações para o mercado local

A análise de Jakurski revela um descompasso entre a percepção dos investidores brasileiros e o apetite dos investidores internacionais. Apesar de a bolsa brasileira parecer cara ao investidor local, ela continua atraente para os estrangeiros, que operam em um contexto de custos de oportunidade distintos. Essa entrada robusta de capital tem sustentado a força do mercado, mas um sinal de alerta se acende quando esse ritmo começa a desacelerar, uma vez que a perda de tração pode afetar negativamente o desempenho do mercado.

Por outro lado, o gestor faz uma avaliação do contexto político, mencionando que a questão eleitoral ainda não é uma preocupação relevante para investidores estrangeiros. A possibilidade de um quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva não é vista como um fator disruptivo imediato, dado o conhecimento prévio que os investidores têm sobre sua trajetória política. Jakurski enfatiza que o processo de deterioração econômica do Brasil é lento e estrutural, sem riscos de rupturas abruptas.

O papel da China na economia global

No cenário internacional, Jakurski identifica a China como um protagonista nas transformações econômicas globais. O país se encontra em um ciclo deflacionário, decorrente de sua mudança de um modelo de grandes investimentos em infraestrutura para uma estratégia mais voltada às exportações. Essa transição, segundo o gestor, transforma a China de motor de crescimento global em uma fonte de pressão deflacionária sobre outras economias.

Além disso, Jakurski levanta a hipótese de que a China está moldando um projeto de longo prazo para tornar o yuan uma moeda lastreada em ouro. Como a nação possui uma conta de capital fechada, tal vinculação à moeda preciosa seria essencial para sua integração no sistema monetário global. Essa estratégia inclui incentivar a poupança em metais preciosos, uma abordagem que, de certo modo, remete ao modelo econômico dos Estados Unidos antes de 1971.

A perspectiva do investidor brasileiro

No âmbito local, o investidor estrangeiro, embora ciente do cenário político, tende a minimizar os riscos baseando-se em experiências anteriores com o governo do PT. Luis Stuhlberger, também sócio-fundador de uma gestora de ativos, argumenta que a lógica se torna clara quando se observa que o Brasil já enfrentou três mandatos de Lula sem um colapso institucional. No entanto, ele alerta para o fato de que a situação atual do país é mais delicada, com uma dívida bruta elevada e uma carga tributária recorde.

Para estabilizar a trajetória da dívida, Stuhlberger sugere que seria necessário um aumento significativo na arrecadação, o que se torna cada vez mais desafiador. Porém, ele acredita que o curto prazo pode ser promissor para os ativos brasileiros, prevendo um ano cheio de oportunidades no mercado de capitais.

Considerações finais sobre a economia global

Rogério Xavier, da SPX Capital, observa que a economia americana deve continuar a crescer de forma robusta, enquanto a inflação desacelera. Isso abre espaço para cortes adicionais de juros, criando um ambiente favorável para ativos de risco. Quanto à China, ele não vê um risco significativo de conflito em Taiwan e destaca a evolução tecnológica do país, que deve consolidar sua posição no mercado global.

Apesar dos desafios que o Brasil enfrenta, como um cenário político incerto e uma dívida elevada, a expertise dos investidores e a dinâmica do mercado global podem oferecer oportunidades significativas. O futuro econômico do Brasil depende da capacidade de implementar reformas estruturais e adaptabilidade às condições externas, garantindo um ambiente propício para o crescimento sustentável.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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