Profissionais do setor de energia se reúnem em Londres para discutir investimentos na Venezuela

No último dia 30, um evento realizado em um hotel de Londres reuniu aproximadamente 200 profissionais do setor energético para discutir a possibilidade de investimentos no petróleo da Venezuela, uma proposta que, há apenas oito meses, parecia distante da realidade. Greig Gilbert, diretor-executivo da Apertura Energy, afirmou ao público que "o momento é agora" para aproveitar as oportunidades que surgem no país sul-americano.

A Apertura Energy, que recentemente reformulou sua estratégia após a remoção do então-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, busca se reposicionar em um setor que historicamente foi dominado pela PDVSA, a estatal de petróleo da Venezuela. O encontro serviu como uma introdução à Venezuela Energy Week, uma conferência maior que ocorrerá em outubro na capital venezuelana.

Apesar da expectativa positiva, os investidores estão cientes dos riscos significativos associados ao mercado venezuelano, que incluem infraestrutura deficiente, instabilidade política e os efeitos prolongados de um terremoto devastador ocorrido em junho. Gilbert ressaltou que, apesar dos desafios, existe uma janela de oportunidade que não pode ser negligenciada.

Empresas de petróleo e investidores estrangeiros estão se mobilizando em resposta ao novo regime de Delcy Rodríguez, que, embora tenha sido vice-presidente de Maduro, demonstra uma abertura para o capital internacional. As recentes reformas no setor eliminaram a exigência de que a PDVSA tivesse a maioria em projetos conjuntos, permitindo que empresas privadas operem diretamente e mantenham uma parcela maior dos lucros.

Claire Jungman, diretora de risco marítimo da Vortexa, explicou que essa mudança facilita a atuação de empresas estrangeiras, permitindo que elas assumam um papel mais ativo na exploração e produção de petróleo. Entretanto, as lembranças da expropriação de ativos em 2007 ainda pesam sobre o setor, gerando incertezas sobre a estabilidade futura do ambiente de negócios na Venezuela.

A modernização da infraestrutura, que sofreu anos de desinvestimento, exigirá investimentos substanciais. Homayoun Falakshahi, da Kpler, estimou que novos projetos podem levar até cinco anos para apresentar resultados, com um custo total entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões ao longo de uma década. Ele enfatizou que a magnitude do investimento necessário é desafiadora e requer um planejamento cuidadoso por parte dos investidores.

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