Este texto foi baseado e inspirado em uma postagem do vereador de Curitiba e autor do dossiê Moraes o vereador Rodrigo Marcial, ao fim da matéria deixarei o link da postagem na integra.
A corrida de Moraes e Toffoli para barrar uma CPMI revela uma teia de conexões que passa por lavagem de dinheiro, desvios no Amapá e pagamentos milionários, colocando em xeque a integridade dos poderes.
Quando dois dos mais influentes ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, buscam uma reunião urgente com um dos homens fortes do Senado, a pergunta inevitável não é sobre o que eles discutem, mas sobre o que tentam desesperadamente ocultar. O senador em questão é Davi Alcolumbre, e o encontro às vésperas de uma possível CPMI acende um alerta máximo sobre a saúde da nossa República.
A chave para entender essa articulação está em uma rede complexa que conecta os três. Essa trama envolve um jato particular de prefixo PR-SMG, um operador conhecido como “Beto Louco”, um piloto que decidiu romper o silêncio e um rastro de R$ 400 milhões que percorreram um caminho ilícito.
O Jato e o Ministro Relator
Toda grande conspiração tem um ponto de partida. Esta começa nos céus. O avião PR-SMG era frequentemente utilizado pelo ministro Dias Toffoli, não em missões oficiais, mas em viagens privadas a um resort de luxo no interior de São Paulo. Este mesmo resort, o Tayayá, é citado em investigações como parte de um esquema de fraudes ligado ao Banco Master. A gravidade aumenta quando se lembra que Toffoli é, justamente, o relator no STF de um caso envolvendo o banco.
Um ministro do Supremo, julgando uma instituição financeira, enquanto desfruta de viagens em um jato ligado a ela, já seria um escândalo. Mas a questão central que eleva a crise a outro patamar é: quem é o verdadeiro dono da aeronave?
Conexão com o Crime Organizado
O proprietário do avião é um personagem conhecido pelo apelido de “Beto Louco”, investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do país. A informação é chocante: um ministro da mais alta corte utilizava como transporte particular uma aeronave de um indivíduo sob investigação por operar para o crime organizado.
Essa revelação não é mera especulação. Ela veio à tona através de quem estava no comando da aeronave.
Histórias como essa geralmente morrem na escuridão do poder. Esta, no entanto, foi iluminada por uma testemunha ocular. Mauro Mattosinho, piloto do PR-SMG, gravou um depoimento em vídeo confirmando que Dias Toffoli era um passageiro frequente. Mais do que isso, ele revelou que “Beto Louco” viajou a Brasília para uma reunião com ninguém menos que o senador Davi Alcolumbre.
A imagem é devastadora: um homem investigado por lavar dinheiro para o PCC em uma audiência com um dos políticos mais poderosos do Congresso. Essa conexão é a peça que une os diferentes eixos desta narrativa.
O Desvio de R$ 400 Milhões no Amapá
Para entender o próximo passo, é preciso sair de Brasília e ir ao Amapá, estado representado por Alcolumbre. Uma operação policial desvendou um desvio de cerca de R$ 400 milhões do fundo de previdência dos servidores públicos do estado. O dinheiro foi transferido diretamente para o Banco Master.
Quem autorizou essa operação? Jocildo Silva Lemos, então diretor do fundo previdenciário. Jocildo não era um desconhecido: foi tesoureiro da campanha de Alcolumbre e nomeado para o cargo pelo próprio senador, a quem agradeceu publicamente. O homem que tirou o dinheiro da aposentadoria dos servidores para beneficiar o Banco Master foi colocado lá por quem, agora, é procurado pelos ministros do STF para abafar a investigação.
O Elo Final: O Pagamento Milionário
Falta uma última peça para fechar o quebra-cabeça. O Banco Master, o mesmo que recebeu os R$ 400 milhões desviados no Amapá pelo apadrinhado de Alcolumbre, realizou um pagamento de R$ 149 milhões à esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Com essa informação, o pânico dos ministros se torna compreensível. A corrida para encontrar Alcolumbre deixa de ser um ato político estranho e se transforma em um movimento lógico de autopreservação.
A Engrenagem da Impunidade
Quando os pontos são ligados, o quadro é claro:
- Um avião pertencente a um investigado por lavar dinheiro para o PCC é usado por Dias Toffoli.
- Toffoli é o relator do caso do Banco Master, que está no centro do esquema.
- O dono do avião se reúne com Davi Alcolumbre, que indicou o responsável pelo desvio de R$ 400 milhões para o mesmo banco.
- O Banco Master, por sua vez, paga R$ 149 milhões à esposa de Alexandre de Moraes.
- Moraes e Toffoli recorrem a Alcolumbre para impedir a CPMI que investigaria exatamente essa teia.
A pergunta que fica é: por que nada acontece? Existem provas, depoimentos e rastros financeiros. Contudo, dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do STF foram arquivados por Alcolumbre, que detém o poder regimental para engavetá-los. O sistema, quando não pressionado, protege a si mesmo.
A única força capaz de quebrar essa engrenagem é a atenção pública. O custo de enterrar um escândalo dessa magnitude aumenta quando a sociedade está vigilante. Agora, você sabe.