Descobrindo novos horizontes sobre a origem da vida através de amostras de Bennu
Estudo das amostras de Bennu revela que os blocos de vida podem se formar em ambientes variados no cosmos.
Novas Revelações sobre a Origem da Vida
A missão OSIRIS-REx da NASA trouxe amostras do asteroide Bennu para a Terra, revelando que os blocos fundamentais da vida podem ser mais comuns no universo do que se pensava. A análise inicial das amostras mostrou a presença de pelo menos 14 dos 20 aminoácidos essenciais encontrados na vida terrestre, além de outros 19 que não são utilizados por organismos vivos. Isso sugere que os aminoácidos, componentes chave para a formação de proteínas, podem se originar em uma variedade de condições, aumentando as chances de encontrarmos vida em outros lugares do cosmos.
Contexto e Importância da Descoberta
Historicamente, acreditava-se que os aminoácidos necessários à vida se formavam em ambientes quentes e aquosos, próximos ao Sol em sua juventude, há 4,5 bilhões de anos. No entanto, as novas análises dos isótopos contidos nos aminoácidos encontrados em Bennu indicam uma origem muito mais fria, possivelmente em regiões com gelo, longe da radiação solar intensa. Essa descoberta muda radicalmente nossa compreensão sobre onde e como os blocos de construção da vida podem se desenvolver.
Detalhes das Análises e Descobertas
Os pesquisadores, liderados pela química orgânica Allison Baczynski, se concentraram na composição isotópica dos aminoácidos de Bennu, particularmente a glicina, que na Terra é formada a partir da reação entre cianeto de hidrogênio, amônia e compostos orgânicos em água aquecida. Ao comparar com aminoácidos encontrados no meteorito Murchison, que caiu na Austrália em 1969, a equipe identificou que os isótopos de Bennu não correspondem aos padrões do Murchison. Em vez disso, eles sugerem uma formação em um ambiente químico distinto e congelado, embora ainda exposto à radiação ultravioleta solar necessária para a formação dos aminoácidos.
Implicações para a Busca por Vida Extraterrestre
A análise também trouxe à tona um novo mistério: os aminoácidos podem existir em formas canhotas e destras, mas a vida na Terra utiliza exclusivamente os canhotos. A descoberta de que essas duas formas apresentaram diferentes isótopos de nitrogênio em um dos aminoácidos analisados, o ácido glutâmico, levanta questões sobre a relação entre as formas e a origem da vida. Esses achados podem oferecer novas pistas sobre como a vida se desenvolveu na Terra e se as condições para a vida são uma constante em outros ambientes do universo.
Conclusões e Oportunidades Futuras
Essas novas descobertas não apenas ampliam nosso entendimento sobre a formação de aminoácidos, mas também aumentam o número de locais no universo onde a vida pode potencialmente existir. Se os blocos da vida podem se formar em uma variedade tão ampla de condições, a busca por vida além da Terra se torna ainda mais promissora. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, destacando a importância da pesquisa interplanetária para a compreensão da vida e suas origens. Essa exploração contínua nos convida a repensar o que sabemos sobre a vida e onde podemos encontrá-la no vasto cosmos.
Fonte: www.space.com