Cade aprova operação com a United Airlines, crucial para recuperação da Azul
A Azul consegue aprovação do Cade para operar com a United Airlines, avançando na recuperação judicial nos EUA.
A aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a operação entre a Azul (AZUL53) e a United Airlines representa uma vitória significativa para a companhia aérea, que busca sair do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11. Esta decisão, realizada por unanimidade pelo plenário do Cade, ocorre em um momento crucial, uma vez que a Azul enfrenta desafios financeiros desde maio de 2025.
Contexto da Recuperação Judicial da Azul
A Azul está em recuperação judicial desde o ano passado, em meio a dificuldades financeiras agravadas pela pandemia e pela recessão econômica global. O Chapter 11 permite que empresas em dificuldades financeiras reestruturem suas dívidas e operações com a proteção do tribunal, enquanto buscam um plano viável para a continuidade das atividades. A aprovação do Cade é uma etapa importante, pois a operação com a United Airlines pretende não apenas proporcionar apoio financeiro, mas também fortalecer a posição da Azul no mercado.
A operação envolve a aquisição, pela United Airlines, de uma participação minoritária na Azul, com o percentual passando de 2,02% para cerca de 8%. Essa participação é parte de uma estratégia mais ampla de reestruturação, que inclui a captação de recursos essenciais para a continuidade das operações da companhia.
Detalhes da Aprovação e Implicações
A aprovação do Cade não ocorreu sem controvérsias. Inicialmente, houve um atraso devido a um pedido do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo) para se tornar um terceiro interessado no processo, alegando que a operação deveria incluir também a American Airlines, que ainda não havia sido notificada ao Cade. O IPSConsumo levantou preocupações sobre a possibilidade de compartilhamento de informações sensíveis entre a United e a American Airlines, que poderiam impactar a concorrência no setor.
O conselheiro-relator, Diogo Thomsom, assegurou que as preocupações levantadas foram mitigadas pelas novas cláusulas de governança e compliance do Estatuto Social da Azul, que impõem restrições ao acesso a informações concorrenciais. Entretanto, ele ressaltou que, caso a American Airlines se junte à estrutura da Azul, o Cade faria uma nova análise das implicações concorrenciais.
Consequências Futuras e Expectativas
A Azul já indicou que um atraso na conclusão do processo de recuperação judicial poderia trazer riscos significativos à sua saúde financeira e continuidade operacional. A companhia destaca que os custos mensais elevados para a conclusão do Chapter 11 aumentariam se o processo se estender além de fevereiro de 2026. O cronograma atual prevê que a empresa finalize sua saída do Chapter 11 ainda neste mês.
Para que isso ocorra, a Azul precisa captar pelo menos US$ 850 milhões, sendo US$ 750 milhões provenientes de um grupo de credores e US$ 100 milhões da United Airlines. Essa captação é crucial não apenas para a reestruturação da empresa, mas também para assegurar sua competitividade no setor aéreo em um cenário pós-pandemia.
A aprovação do Cade é, portanto, uma peça-chave na recuperação da Azul, permitindo que a empresa avance em sua estratégia de reestruturação e busque recuperar sua posição no mercado aéreo brasileiro e no exterior.
Fonte: www.moneytimes.com.br