A incerteza no setor de computação em nuvem afeta ações de tecnologia
A queda do WisdomTree Cloud Computing Fund sinaliza a preocupação dos investidores com a sustentabilidade de empresas de software em meio à transformação da IA.
O setor de computação em nuvem está enfrentando um momento desafiador, com o WisdomTree Cloud Computing Fund (NASDAQ:WCLD) apresentando uma queda de 30,5% no último ano, encerrando em $28,60. Essa baixa significativa contrasta com o ganho de 14,4% do S&P 500 (NYSEARCA:SPY), refletindo a crescente desconfiança dos investidores sobre a capacidade das novas empresas de software em manter seus modelos de negócios em um ambiente tecnológico em rápida transformação devido à inteligência artificial (IA).
A crescente desconfiança entre investidores
As preocupações sobre a possibilidade de uma disrupção causada pela IA têm impactado o desempenho das ações de software, levando muitos a questionar se companhias como HubSpot e Atlassian, que estão entre as 65 posições do portfólio do WCLD, conseguirão manter suas vantagens competitivas. A estrutura do fundo, que concentra 92,1% de seus ativos em tecnologia da informação, amplifica tanto as oportunidades quanto os riscos associados a essa transformação impulsionada pela IA.
O WCLD oferece exposição a empresas emergentes no setor de computação em nuvem por meio do BVP Nasdaq Emerging Cloud Index, distribuindo o risco entre 65 posições, sendo a MongoDB (NASDAQ:MDB) a maior holding, com apenas 2,81%. Essa diversificação busca minimizar o impacto do desempenho de qualquer único ativo, enquanto o fundo cobra uma taxa de administração de 0,45%, considerada razoável para o acesso a esse nicho do mercado.
A lógica por trás do investimento
O motor de retorno do WCLD baseia-se no crescimento da receita recorrente proveniente de empresas que vendem software e infraestrutura baseados em nuvem. Essas empresas costumam apresentar alta retenção de clientes e margens em expansão à medida que escalam. Contudo, o fundo se concentra em jogadores emergentes, diferentemente de gigantes da infraestrutura como Amazon e Microsoft, que dominam a maior parte dos gastos em IA.
Mesmo em meio a um cenário de desvalorização, alguns investidores institucionais, como o Bank of America e a Tower Research, decidiram aumentar suas posições no fundo no início de janeiro de 2026, desafiando a percepção negativa. A lógica deles é que as empresas de software estão rapidamente integrando IA em seus produtos e que a atual venda representa um ajuste de avaliação, não um colapso estrutural.
A questão do tempo e as avaliações altas
No entanto, o tempo pode ser um fator crucial. Muitas das holdings do WCLD são empresas em estágio de crescimento, muitas delas ainda sem lucro. A MongoDB, a maior participação do fundo, é um exemplo, negociando a 67 vezes os lucros futuros, apesar de um EBITDA negativo. Essas avaliações funcionaram durante um período de taxas de juros próximas de zero, mas se tornam cada vez mais difíceis de justificar em um cenário onde a disrupção da IA continua sendo uma questão em aberto.
Considerações para o futuro
O WCLD se encaixa em portfólios que buscam uma exposição agressiva ao crescimento do software para nuvem, mas apenas para investidores que se sintam confortáveis com uma volatilidade significativa e uma perspectiva de longo prazo. A concentração em tecnologia e o foco em empresas emergentes fazem com que o fundo amplifique tanto os ganhos quanto as perdas. Para aqueles que buscam uma exposição mais estável ao setor tecnológico, o Nasdaq 100 (NASDAQ:QQQ) proporciona uma diversificação mais ampla com retornos de 15,5% em um ano. A aposta no WCLD é que as empresas de nuvem emergentes de hoje dominarão o cenário de software aprimorado por IA no futuro. Essa previsão pode se concretizar, mas o caminho até lá será, sem dúvida, turbulento.