Estudo revela falta de confiança e clareza entre mulheres investidoras em mercados privados
Um estudo recente destaca os desafios enfrentados por mulheres investidoras ao acessarem capital de risco e mercados privados.
As mulheres investidoras estão enfrentando uma encruzilhada quando se trata de acessar mercados privados e capital de risco. De acordo com um relatório de 2026 intitulado “Mulheres, Riqueza e o Contínuo de Capital”, conduzido pela organização sem fins lucrativos How Women Lead e pela plataforma de investimento How Women Invest, um número significativo de mulheres ainda não tem um caminho claro para investir em capital de risco e carece de confiança em relação a esses mercados.
Contexto do Investimento Feminino
O levantamento online, que contou com a participação de 315 mulheres que atendem aos critérios de investidora qualificada ou credenciada, revelou que até 94% já realizaram alocações em mercados privados. No entanto, 63% das participantes afirmaram que precisam de orientação ou dependem inteiramente de seus consultores financeiros para fazer tais investimentos. A pesquisa também indicou que 67% planejam investir entre R$ 25.000 e R$ 49.000 em fundos de capital de risco ao longo de 2026.
Notavelmente, 77% das entrevistadas investem com base em valores, e 58% utilizam uma perspectiva de gênero ao decidir onde alocar seu dinheiro. Seus interesses incluem áreas como saúde da mulher, prestação de serviços de saúde e inovação financeira. Apesar disso, quase metade (44%) das participantes indicou que não possui um caminho claro para investir no capital de risco.
Desafios e Perspectivas
Julie Castro Abrams, CEO da How Women Lead e sócia-gerente da How Women Invest, destaca que muitas dessas mulheres ocupam cargos de liderança, como executivas e membros de conselhos, mas enfrentam a barreira da falta de tempo. Ela enfatiza que essas investidoras são inteligentes e estão dispostas a correr riscos, mas buscam simplicidade nos processos de investimento. Segundo ela, é crucial que existam passos iniciais claros e diretos para facilitar a entrada no mercado.
Apesar de 80% das mulheres em sua rede trabalharem com consultores financeiros, isso não garante que elas confiem plenamente nessas orientações para decisões em mercados privados. Um relatório de 2025 da RFI Global revelou que 19% das casas que são exclusivamente femininas considerariam trocar de consultor devido a conselhos financeiros insatisfatórios, em comparação com 13% das casas em média nos EUA.
Castro Abrams também aponta que as mulheres que investem buscam alinhar seus investimentos com seus valores pessoais, muitas vezes priorizando fundos que têm um foco em ESG (ambiental, social e de governança) ou que promovem o empoderamento feminino. Para elas, o investimento em capital de risco pode oferecer não apenas retorno financeiro, mas também uma forma de acesso e influência nas redes de negócios, que são fundamentais para suas carreiras.
Olhando para o Futuro
Infelizmente, o relatório destaca que muitas mulheres ainda não se sentem confiantes para acessar as oportunidades disponíveis no mercado de capitais. Apenas 19% das participantes se descreveram como “muito” ou “extremamente confiantes” em suas decisões de investimento. Quase um quarto (24%) admitiu não ter nenhuma confiança e confiar totalmente em seus consultores financeiros. Enquanto isso, 39% se consideram “moderadamente confiantes” e buscam orientações adicionais.
Além disso, 22% das entrevistadas nunca investiram em ativos privados, e 27% realizaram apenas uma ou duas alocações. Aqueles que já investiram tendem a ser conservadores, com 27% alocando de 1% a 5% de seus portfólios totais em tais ativos.
O estudo destaca que, enquanto 25% das mulheres têm entre R$ 25.000 e R$ 49.000 alocados em capital de risco, apenas 3% investiram mais de R$ 250.000. Esta situação ressalta a necessidade de estratégias mais adaptadas e acessíveis para o crescente número de mulheres que desejam participar ativamente desse setor.
Conclusão
As investidoras enfrentam um caminho repleto de desafios ao buscarem acesso ao capital de risco. A falta de clareza e confiança em suas decisões de investimento ressaltam a importância de um suporte mais robusto e direcionado, que não apenas as capacite a investir, mas também alinhe seus investimentos com seus valores e objetivos de carreira. O futuro pode ser promissor, mas requer ações concretas para garantir que as mulheres não apenas participem, mas liderem no espaço de investimentos privados.