Ex-secretária do Careca do INSS relata desconhecimento de fraudes

Aline Cabral afirmou, em depoimento à CPMI, não se lembrar de irregularidades

Aline Cabral, ex-secretária do Careca do INSS, diz desconhecer irregularidades em depoimento à CPMI.

A condução da CPMI do INSS ganhou novos desdobramentos com o depoimento de Aline Barbara Mota de Sá Cabral, ex-secretária do polêmico Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Durante a audiência, realizada nesta segunda-feira, Aline revelou que, embora tivesse acesso ao cofre de Antunes, não se recordava de repasses financeiros para o motorista do empresário, levantando questões sobre a transparência e a ética de suas operações. O relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), sublinhou a importância do depoimento de Aline, dada sua posição próxima a Antunes e seu conhecimento sobre os movimentos financeiros do grupo.

Contexto da Investigação

A CPMI investiga um esquema de fraudes envolvendo o INSS, onde aposentadorias eram descontadas sem a autorização dos beneficiários. Antunes é acusado de ser um dos principais responsáveis por essa rede de corrupção. A linha de investigação se concentra não apenas nas ações diretas de Antunes, mas também na estrutura que permitiu a ocorrência dessas fraudes, incluindo a identificação de pessoas que atuavam ao seu redor.

No entanto, Aline Cabral se posicionou como uma figura que, apesar de próxima ao Careca, não tinha conhecimento das irregularidades em questão. Aline não se recordou de detalhes que poderiam esclarecer a movimentação de dinheiro, afirmando que não anotava saídas do cofre, que seriam utilizadas para compras de materiais de escritório.

Detalhes do Depoimento

Durante os questionamentos, Aline foi indagada por Gaspar sobre retiradas de dinheiro do cofre para repassar ao motorista de Antunes. Sua resposta foi evasiva, indicando que poderia ter feito isso, mas sem certeza. Aline também confirmou ter acompanhado a compra de um imóvel em Trancoso (BA), mas negou saber detalhes sobre o pagamento.

Os senadores da CPMI, incluindo Izalci Lucas (PL-DF), questionaram Aline sobre anotações encontradas durante investigações da Polícia Federal que indicavam percentuais de pagamentos que poderiam estar ligados a um esquema de propinas. Aline, em resposta, optou pela omissão, alegando que não tinha conhecimento dos percentuais mencionados.

Implicações e Reflexões

A postura de Aline Cabral, que chegou à CPMI amparada por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, levanta discussões sobre a responsabilidade e a ética de funcionários públicos em casos de corrupção. A sua ausência de memória a respeito de transações que envolviam dinheiro, além de seu temor em responder a perguntas mais diretas, pode indicar uma tentativa de se distanciar das práticas ilegais que, segundo as investigações, eram comuns no ambiente em que trabalhou.

A repercussão desse depoimento é significativa, não apenas para a CPMI, mas também para a sociedade, que espera justiça e transparência nas ações do governo e das instituições. Caso se prove que Aline tinha mais conhecimento do que alegou, as consequências poderão ser severas para sua integridade pessoal e profissional.

Conclusão

Aline Cabral expressou seu arrependimento ao ser questionada sobre seu papel nas atividades de Antunes, o que pode sugerir uma mudança de perspectiva sobre sua atuação no passado. O depoimento dela deixou muitas perguntas sem resposta e destaca a complexidade do sistema de corrupção em que o Careca do INSS estava inserido. A continuidade das investigações poderá elucidar mais sobre as práticas ilegais e potencialmente punir aqueles que se beneficiaram delas.

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