Resultados financeiros impactados por novas regras e inadimplência
Banco do Brasil reporta queda significativa no lucro líquido ajustado, reflexo de novas regras contábeis e aumento da inadimplência.
O desempenho financeiro do Banco do Brasil em 2025 revela um cenário desafiador para a instituição, que viu seu lucro líquido ajustado cair em impressionantes 45,4%, totalizando R$ 20,7 bilhões. Este resultado, anunciado em 11 de fevereiro de 2026, destaca a necessidade de adaptação do banco às novas normativas contábeis e os desafios impostos pelo aumento da inadimplência entre seus clientes.
Impactos das Novas Regras Contábeis
Em janeiro do ano passado, uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) entrou em vigor, alterando profundamente a forma de contabilização das perdas nas instituições financeiras. Essa mudança, que visava tornar o sistema bancário mais robusto e transparente, fez com que o Banco do Brasil deixasse de registrar cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito. Essa perda significativa impactou diretamente o lucro da instituição, que viu uma queda acentuada em seus números financeiros.
Além disso, o aumento da inadimplência também contribuiu para este cenário negativo. O índice de atrasos superiores a 90 dias subiu de 3,16% no final de 2024 para 5,17% em 2025. Esse aumento foi especialmente evidente nas operações de crédito voltadas para o agronegócio e o cartão de crédito, setores que tradicionalmente enfrentam riscos elevados em períodos de instabilidade econômica.
Resultados Financeiros no Quarto Trimestre
No quarto trimestre de 2025, especificamente entre outubro e dezembro, o lucro do Banco do Brasil foi de R$ 5,7 bilhões, uma queda de 47,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Entretanto, houve um crescimento de 51,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025, o que pode ser interpretado como um sinal de recuperação, apesar do contexto desfavorável.
Em termos de receitas, o banco reportou R$ 34,8 bilhões em serviços, uma diminuição de 1,9% em relação ao ano anterior, mesmo com o crescimento nas receitas provenientes de administração de fundos, taxas de consórcios e rendas do mercado de capitais. As despesas administrativas também aumentaram, com um total de R$ 34,8 bilhões, refletindo uma alta de 5,1% devido a reajustes salariais e investimentos em tecnologia.
Perspectivas para 2026
Para o ano de 2026, o Banco do Brasil projeta um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, prevendo um crescimento moderado na carteira de crédito, variando entre 0,5% e 4,5%. As expectativas incluem uma alta de 6% a 10% no crédito para pessoas físicas, enquanto o setor do agronegócio pode sofrer oscilações significativas.
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, expressou otimismo ao destacar o crescimento no último trimestre como um indicativo de recuperação, enfatizando a necessidade de ajustes para restaurar a rentabilidade da instituição.
Apesar do cenário adverso, a expansão da concessão de crédito em 2025, mesmo com a elevação das taxas de juros, mostra que o banco está se posicionando para enfrentar os desafios e fortalecer sua posição no mercado financeiro. O futuro do Banco do Brasil dependerá de uma gestão eficaz e da capacidade de se adaptar às novas realidades econômicas e regulatórias.
Fonte: www.metropoles.com