Como os investidores podem se beneficiar das lições aprendidas.
Um estudo revela que as corporações superam os investidores individuais no mercado de ações.
Investir no mercado de ações tornou-se uma prática comum para muitos indivíduos, especialmente após a popularização das plataformas de negociação online. Contudo, um estudo recente conduzido por R. David McLean, Jeffrey Pontiff e Christopher Reilly, publicado na edição de novembro de 2025 do Journal of Financial Economics, revela que os resultados dos investidores de varejo são desastrosos em comparação com os de instituições e corporações. Esta análise abrangente examina padrões de negociação de diferentes participantes do mercado e oferece lições valiosas para quem busca melhorar suas estratégias de investimento.
A Ascensão dos Investidores de Varejo
Nos últimos anos, o número de investidores individuais no mercado aumentou, mas a evidência sugere que eles ainda estão longe de ter sucesso nas suas negociações. O estudo analisou diversos tipos de participantes, incluindo seis tipos de investidores institucionais, vendedores a descoberto e as próprias corporações, durante um período que se estendeu de 2006 até 2017, abrangendo 130 variáveis que preveem o desempenho das ações.
Os dados mostram que as corporações emergem como os traders mais informados, consistentemente comprando de volta ações quando esperam retornos positivos e emitindo ações quando acreditam que os preços estão inflacionados. Este comportamento contrasta com o dos investidores de varejo, que frequentemente compram ações de baixo desempenho e vendem ações de alto desempenho, resultando em decisões prejudiciais ao seu retorno financeiro.
Desempenho dos Diversos Participantes do Mercado
O estudo revelou que os investidores de varejo não apenas têm um desempenho inferior, mas também realizam negociações que preveem retornos no sentido oposto ao que desejam. Por outro lado, os vendedores a descoberto, embora também dependam de dados públicos, conseguem identificar ações com baixo potencial de retorno de maneira mais eficaz.
Surpreendentemente, os investidores institucionais, que se esperaria terem vantagem devido aos seus recursos, não apresentaram capacidade robusta de previsão de retornos. Em vez disso, adoptaram uma abordagem que muitas vezes resultou em decisões aleatórias, contribuindo para anomalias no mercado.
Lições para Investidores de Varejo
A partir dos dados apresentados, os autores do estudo oferecem várias recomendações aos investidores de varejo:
1. Seja Humilde: Reconhecer que a seleção de ações não é uma ciência exata, mesmo para os profissionais.
2. Siga os Insiders: Preste atenção nas atividades de recompra e emissão de ações das empresas, que podem indicar sinais positivos ou negativos sobre a valorização das mesmas.
3. Interesse em Short Selling: A alta taxa de venda a descoberto pode indicar uma análise mais aprofundada sobre a ação, sendo um indicador de desempenho futuro.
4. Evite o Overtrading: Frequentes negociações tendem a prejudicar o desempenho financeiro. É melhor adotar uma abordagem de longo prazo.
5. Desconfie das Instituições: Não assuma que a compra de grandes instituições é sempre uma indicação de um bom investimento. Seus padrões de negociação são muitas vezes falhos.
6. Considere Estratégias Passivas: Dado que investidores experientes também falham em prever retornos com eficácia, estratégias de investimento passivo podem ser a melhor alternativa.
Conclusão
Este estudo oferece um panorama realista para investidores que buscam o sucesso no mercado de ações. A mensagem é clara: a humildade e uma abordagem sistemática tendem a superar a confiança excessiva e o trading ativo. Para a maioria dos investidores, a estratégia mais eficaz para a construção de riqueza a longo prazo envolve investimentos diversificados e de baixo custo, ao invés de tentativas de prever movimentos de mercado com base em informações limitadas.