Governo analisa medidas para controlar exportação e evitar desorganização do mercado
O governo brasileiro discute a implementação de cotas por empresa para a exportação de carne bovina à China, visando evitar uma corrida desenfreada.
Discussão sobre cotas de exportação para carne bovina
O governo brasileiro inicia discussões para estabelecer um sistema de cotas por empresa para a exportação de carne bovina à China. Essa medida é uma resposta ao aumento das tarifas estabelecidas pelo país asiático, que, no ano passado, impôs uma taxa de 55% sobre as exportações que excedem uma cota determinada. A proposta foi apresentada pelo Ministério da Agricultura e deve ser discutida em uma reunião do Comitê Executivo de Gestão (Gecex).
Contexto da proposta
A cota para exportação de carne bovina do Brasil à China em 2026 é de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas, um aumento modesto em relação aos anos anteriores, com previsão de crescimento de cerca de 2% para os próximos dois anos. Entretanto, esse limite representa uma redução em relação ao volume exportado em 2025, que ultrapassou 1,6 milhão de toneladas. Essa discrepância tem gerado apreensão entre os frigoríficos, que temem a desorganização do mercado caso todas as empresas tentem exportar dentro da cota.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, destacou a importância de discutir medidas que evitem uma corrida desenfreada nas exportações. Segundo ele, a proposta já foi levada ao Gecex, onde será avaliada em termos de suas implicações econômicas e jurídicas. Rua enfatizou que uma decisão célere seria benéfica, dada a necessidade de clareza nas normas de exportação, especialmente considerando que o Brasil já possui um sistema de cotas semelhante para a exportação de carne de frango destinada à União Europeia.
Detalhes da reunião e preocupações do setor
Apesar de Rua não ter confirmada a inclusão da proposta na pauta da reunião do Gecex, ele afirmou que o ministério está otimista em relação às discussões. Ele ressaltou que, embora a proposta não seja uma intervenção no mercado, é uma forma de organização necessária para lidar com a nova realidade das tarifas chinesas.
A Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), representada por seu presidente Paulo Mustefaga, manifestou apoio à iniciativa de negociação com o governo chinês para eliminar a tarifa extra. Caso essa negociação não seja viável, o setor sugere que a cota livre de tarifa seja distribuída entre as empresas, baseando-se em seu desempenho no ano anterior, embora haja divergências sobre como implementar essa medida.
Consequências e perspectivas futuras
A implementação de cotas de exportação pode ter repercussões significativas para o setor agropecuário brasileiro, que depende fortemente do mercado chinês. Com a crescente demanda por carne bovina, a capacidade de organizar e distribuir as exportações adequadamente se torna crucial para manter a competitividade e a estabilidade do mercado. Além disso, a questão dos embarques de carne em trânsito permanece como uma incerteza, especialmente no que diz respeito à inclusão desses volumes na cota de 2026.
A discussão sobre o controle das exportações e a definição de cotas representa um ponto crítico para o Brasil, que busca se posicionar de forma estratégica em um mercado global em constante mudança. As decisões que forem tomadas nas próximas semanas podem determinar o futuro das exportações de carne bovina brasileiras e sua relação comercial com a China.
Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: Money Times