A ausência de Trump ainda é sentida nas discussões do continente.
A influência de Trump na África será um dos temas centrais do encontro da União Africana, mesmo com sua ausência.
A 39ª cúpula da União Africana, que ocorre neste fim de semana, marca um momento crítico para os líderes do continente, especialmente em um cenário marcado pelas políticas de Donald Trump, mesmo na sua ausência. O impacto da administração Trump em questões de ajuda financeira, comércio e segurança está gerando debates acalorados entre os delegados dos 55 estados membros.
A Nova Realidade das Relações EUA – África
As políticas adotadas por Trump, incluindo cortes drásticos na ajuda externa e uma mudança na abordagem comercial, estão moldando a forma como a África se relaciona com os Estados Unidos. Historicamente, a ajuda dos EUA representou uma parte significativa do financiamento para diversos projetos no continente, mas essa dependência está sendo revista. Especialistas, como Carlos Lopes, notam que a administração Trump está se afastando de um modelo de engajamento multilateral, optando por acordos bilaterais que enfatizam a segurança e o comércio.
A nova estratégia dos EUA visa uma relação mais transacional, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade e a corrupção associadas a esses acordos. O foco em recursos naturais e segurança também se destaca, especialmente considerando a significativa influência da China na África, que muitos líderes estão tentando equilibrar em suas parcerias internacionais.
As Consequências da Política de Cortes
As recentes políticas do governo Trump, como a desativação da USAID e cortes nos programas de ajuda, tiveram efeitos negativos diretos sobre a saúde pública e a segurança alimentar na África. O Centro para o Desenvolvimento Global estima que essas medidas poderão resultar em até 1 milhão de mortes anuais devido a aumentos na mortalidade por desnutrição e outras questões de saúde. A interrupção de programas vitalmente importantes, como o PEPFAR, tem sido particularmente preocupante para os líderes africanos, que estão cada vez mais cientes das repercussões dessas políticas em suas populações.
Por outro lado, a tentativa do governo Trump de estabelecer acordos bilaterais em saúde pública em países como Etiópia e Nigéria reflete uma nova abordagem que, embora atraente, é questionada quanto à sua viabilidade a longo prazo. Os líderes africanos estão sob pressão para manter uma posição estratégica que os proteja de dependências excessivas, enquanto tentam maximizar os benefícios desses novos acordos.
O Elefante na Sala: Trump e o Equilíbrio Geopolítico
A influência de Trump será um tema proeminente durante a cúpula, mesmo sem sua presença física. O desejo dos líderes africanos de manter um relacionamento produtivo com os EUA é contrabalançado pela necessidade de fortalecer laços com outras potências, como a China e os países do Golfo. Como destaca Everisto Benyera, professor de política, Trump pode ser descrito como o “elefante na sala” durante as discussões, com líderes africanos se esforçando para não alienar o presidente dos EUA enquanto tentam garantir apoio de outros países.
A cúpula também poderá abordar questões de justiça internacional, à medida que vários Estados africanos se pronunciam sobre ações dos EUA em cenários de crise, como na Venezuela e na Palestina. Ao mesmo tempo, a urgência em diversificar parcerias e afirmar a autonomia estratégica será um ponto central, à medida que o continente navega por um cenário global em constante mudança.
Conclusão
A 39ª cúpula da União Africana é um reflexo das complexidades das relações internacionais contemporâneas, especialmente na era Trump. A necessidade de uma abordagem equilibrada que considere tanto os interesses dos EUA quanto as realidades africanas será essencial para o sucesso das negociações e para o futuro das relações entre o continente e a superpotência norte-americana. O legado de Trump, mesmo na sua ausência, continua a moldar o caminho a seguir para os líderes africanos.
Fonte: www.aljazeera.com