Mortes femininas em ondas de calor superam as masculinas, aponta estudo

Pesquisas recentes indicam que as ondas de calor têm um impacto desproporcional sobre a mortalidade feminina, com um número maior de mortes entre mulheres em comparação aos homens. Esse fenômeno, embora relacionado a fatores biológicos, sugere que as causas são mais complexas e envolvem questões sociais e econômicas.

Um estudo realizado em 2023 revelou que, em uma amostra de 800 mil mortes ocorridas devido a ondas de calor, as mulheres representaram 61% dos casos. Essa estatística levanta a questão sobre o que pode estar contribuindo para essa disparidade. Especialistas apontam que as desigualdades nos cuidados de saúde, as responsabilidades domésticas e as condições de vida podem ser fatores determinantes na maior vulnerabilidade das mulheres durante eventos extremos de calor.

Além disso, a pesquisa enfatiza que as diferenças de comportamento e a exposição ao calor entre os gêneros também desempenham um papel significativo. Em muitos contextos, as mulheres têm menos acesso a recursos que poderiam mitigar os efeitos das altas temperaturas, como ar-condicionado e cuidados médicos adequados. Isso se torna ainda mais crítico em regiões onde a infraestrutura de saúde é precária e as mulheres, frequentemente, são as responsáveis por cuidar da casa e da família, o que limita suas oportunidades de buscar proteção contra o calor.

Os pesquisadores alertam que a resposta a essas questões deve ir além da biologia e incluir medidas que abordem as desigualdades sociais. Para que as políticas públicas sejam eficazes, é necessário um entendimento mais profundo de como fatores como gênero, classe social e acesso a serviços de saúde interagem para afetar a saúde das mulheres durante episódios de calor extremo.

À medida que as mudanças climáticas continuam a intensificar a frequência e a gravidade das ondas de calor, é fundamental que as estratégias de mitigação e adaptação sejam inclusivas e considerem as necessidades específicas das populações mais vulneráveis, especialmente as mulheres. A proteção da saúde feminina em face das mudanças climáticas deve ser uma prioridade nas agendas de saúde pública e ambiental, assegurando que todos tenham acesso a recursos e suporte adequados para enfrentar esses desafios.

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