O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve um embate com seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, na semana passada, em virtude da diminuição do estoque de munição do Exército americano. Essa situação foi reportada pelo jornal The Washington Post, que citou fontes próximas ao assunto. Durante a conversa, Trump expressou sua insatisfação, questionando Hegseth sobre a falta de informações precisas a respeito da escassez de munições, essenciais para operações contra o Irã e outros conflitos no Oriente Médio.
Uma das fontes relatou que a redução no estoque de munições levou Trump a cancelar um ataque planejado contra Teerã. Esse cenário se agrava à medida que os militares dos Estados Unidos já consumiram cerca de 80% dos interceptadores de um sistema de defesa antimísseis crucial, gerando preocupações entre os altos comandantes sobre os níveis de munição do Pentágono, que estão descritos como “perigosamente baixos”.
Os dados indicam que os estoques de sistemas de defesa aérea sofreram uma queda significativa durante a guerra no Oriente Médio. De acordo com informações, os militares americanos utilizaram quase 80% de seu inventário de mísseis THAAD e cerca de 50% dos interceptadores Patriot desde o início do conflito. O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) estima que, antes do início da guerra contra o Irã, os Estados Unidos dispunham de aproximadamente 2.200 mísseis Patriot e 452 mísseis THAAD.
Em resposta às preocupações sobre a escassez, Trump afirmou que os Estados Unidos possuem “quantidades enormes” de munições, e alegou que grandes quantidades estão sendo produzidas e enviadas conforme a necessidade. Contudo, ele não detalhou quais tipos de munições estariam disponíveis. A declaração foi feita em sua rede social Truth Social, onde ele tentou minimizar a gravidade da situação.
Nos últimos meses, o Departamento de Defesa tem acelerado os esforços para aumentar a produção de mísseis interceptadores. Isso inclui a assinatura de dois contratos recentes para ampliar a fabricação de motores de foguetes dos sistemas Patriot e THAAD. No entanto, um porta-voz do Departamento de Defesa não comentou sobre quando essa ampliação poderá resultar em um aumento efetivo dos estoques.
Analistas indicam que pode levar anos para que os Estados Unidos consigam recompor completamente seus estoques de mísseis de alta tecnologia, como os Patriot, devido ao longo processo de fabricação. Em contrapartida, os estoques de mísseis Precision Strike Missile (PrSM) e Joint Air-to-Surface Standoff Missile (JASSM) devem se recuperar de forma mais rápida, podendo retornar aos níveis anteriores à guerra entre meados e o final de 2027.