O laudo de perícia da Criminalística da Polícia Federal, divulgado nesta quinta-feira (6), revela que a Tragédia da Voepass, que resultou na queda de um avião em Vinhedo, no interior de São Paulo, foi causada por uma combinação de falhas técnicas e decisões inadequadas da tripulação. O relatório aponta que a sequência de eventos que culminou no acidente começou com a formação severa de gelo, potencializada por erros operacionais que desviaram dos manuais de segurança.
De acordo com o documento, a inoperância do sistema de degelo e o não cumprimento de protocolos de emergência impediram que os pilotos recuperassem o controle da aeronave antes do impacto. O acidente, que vitimou 62 pessoas, ocorreu em um dia marcado por condições meteorológicas adversas, com uma frente fria ativa sobre o Paraná e São Paulo, que favoreceu a Formação de Gelo em Aeronaves (FGA) de intensidade moderada a severa.
O laudo destaca que, apesar de a aeronave ser certificada para voar em condições de gelo, o acúmulo severo de gelo compromete rapidamente a sustentação, aumentando o arrasto e dificultando o controle do avião. O manual de operações da Voepass recomenda a evitação de áreas com essas condições, porém, apesar das previsões meteorológicas desfavoráveis, o voo foi autorizado a decolar.
Um dos trechos mais impactantes do relatório é a conversa capturada pelo gravador de voz da cabine (CVR), onde a tripulação se dá conta de que o sistema de degelo não estava funcionando. Às 16h20m03s UTC, o copiloto sugere que liguem o sistema de degelo, mas o piloto responde de maneira negativa, indicando que o sistema não estava operacional. O laudo também registra uma falha crítica no computador de bordo (MPC), que indicou um erro na função de degelo pneumático.
A situação se agravou ainda mais devido a problemas nos limpadores de para-brisa, que estavam inoperantes, o que, segundo as normas, proibia a realização do voo, especialmente em condições de chuva. A dinâmica final do voo durou apenas 1 minuto e 22 segundos, desde o desligamento do piloto automático até a colisão com o solo. Dados do FDR mostram que a aeronave entrou em um movimento rotacional descendente intenso, conhecido como "parafuso", completando cinco voltas e meia enquanto despencava a uma velocidade de descida de 12.000 pés por minuto.
Vídeos analisados pela perícia confirmaram que a aeronave estava com o nariz para baixo, o que indicava a perda total da sustentação e do controle direcional. O impacto ocorreu às 16h22m32s UTC e resultou em um incêndio que consumiu grande parte da fuselagem. O laudo conclui que, embora a estrutura da aeronave estivesse íntegra até o momento da colisão, a combinação da baixa altitude e a severidade da manobra dificultaram qualquer tentativa de recuperação por parte da tripulação, levando ao trágico acidente.