Após abdicar da estabilidade nas grandes bancas para encarar a maternidade, advogada celebra uma década à frente do próprio escritório em Curitiba e consolida sua atuação levando proteção jurídica e parcerias estratégicas para mulheres que empreendem
Trocar a rota traçada para a magistratura e a segurança dos grandes escritórios corporativos pelo desafio do empreendedorismo solo não é uma decisão simples. Para a advogada paranaense Bruna Salvático, no entanto, a virada de chave atendeu a um chamado duplo: a paixão visceral pela advocacia empresarial e a prioridade inegociável da maternidade. Hoje, dez anos após fundar sua própria banca em Curitiba, ela não apenas consolida sua marca no direito patronal, mas também transforma o ecossistema do empreendedorismo feminino local ao democratizar a segurança jurídica para mulheres que buscam independência financeira.
A trajetória de Bruna na capital paranaense começou em 1999, impulsionada pelo ingresso na Escola da Magistratura. O cotidiano na prática jurídica, contudo, revelou um caminho diferente. Encantada pelo atendimento direto às empresas e pela atuação no direito do trabalho patronal, ela trilhou anos de carreira como sócia em escritórios de médio e grande porte.
A grande reviravolta veio em 2016. Diante do diagnóstico de uma gestação de risco de sua terceira filha, Bruna decidiu se desligar da sociedade para priorizar a saúde e a família. O que parecia um momento de pausa virou o estopim para uma nova fase profissional. Impulsionada pela procura constante de antigos clientes e pelo respaldo de seu marido na transição, a advogada estruturou um atendimento formato boutique em sua própria casa. O modelo deu tão certo que logo se desdobrou em um escritório físico e consolidado.
“A minha família falou mais alto, mas quando me vi em um local seguro, podendo cuidar da minha gestação, resolvi me desafiar. Comecei do zero com uma advocacia bem criteriosa, direcionada e com o olhar atento para o negócio do cliente”, relembra.
Equilibrar as exigências do universo jurídico com a gestão da casa é uma rotina dinâmica. Mãe de três filhos em fases completamente distintas — uma jovem de 20 anos, um adolescente de 14 anos e uma criança de 10 anos —, Bruna encontra na autogestão do tempo o maior trunfo do empreendedorismo.
Foi justamente durante o isolamento imposto pela pandemia, no entanto, que a advogada vivenciou o sentimento de solidão comum a quem lidera um negócio de forma solo. A busca por reconexão a levou aos grupos de empreendedorismo feminino de Curitiba, como o Bem Sucedidas e a comunidade Curitibanas. Nesses encontros de networking, ela encontrou um ambiente de acolhimento e identificou uma lacuna crítica: a vulnerabilidade jurídica de mulheres que começavam a empreender, muitas vezes após divórcios ou perdas de emprego.

Blindagem jurídica como propósito de vida
Ao constatar que muitas empresárias colocavam seus negócios em risco por falta de orientação básica, Bruna assumiu como propósito levar conhecimento acessível ao segmento. Por meio de palestras, workshops e mentorias, a advogada passou a orientar essas mulheres a estruturarem suas empresas com respaldo legal, prevenindo falhas que poderiam comprometer o sustento de suas famílias.
Paralelamente, a advogada transformou sua rede de contatos em uma engrenagem estratégica para o seu próprio escritório. Sem enxergar colegas de profissão como concorrentes, Bruna desenvolveu alianças sólidas com grandes bancas e escritórios parceiros para atendimento full-time, além de estruturar um leque de profissionais multidisciplinares de alto gabarito para atender às demandas de suas clientes.
“Rede de apoio no empreendedorismo é troca. Não se pode frequentar esses grupos apenas pensando em vender. É preciso mostrar seu valor, conhecer o valor do outro e doar. As parcerias e os negócios fluem naturalmente a partir da confiança”, destaca.
Com uma década de estrada solo e um negócio plenamente estruturado, Bruna Salvático resume seus aprendizados para quem deseja encarar o mercado nacional com segurança. Segundo ela, o sucesso de um empreendimento depende de três pilares fundamentais: foco, disciplina e uma rede de apoio sólida.
“Ninguém constrói nada sozinho. A mulher que deseja abrir seu negócio hoje deve buscar estruturação, agir com segurança e nunca caminhar isolada”, conclui a advogada.
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Fonte: Bruna Salvático. / Fotos: Tais Silva.