Investigação da Polícia Federal resulta em indiciamento de 16 envolvidos na queda de avião

A Polícia Federal finalizou o inquérito referente à queda de um avião da Voepass, que ocorreu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo, resultando no indiciamento de 16 indivíduos, entre funcionários e ex-funcionários da companhia. As apurações indicaram a ocorrência de crimes como atentado contra a segurança do transporte aéreo, sinistro aéreo com resultado morte e falsidade ideológica, variando conforme a conduta de cada um dos indiciados.

Dentre os indiciados, Edson Serra Martins responde pela acusação de falsidade ideológica, enquanto Luciano Alves de Macedo e Marcos Hiroyuki Sato estão implicados por sinistro aéreo com resultado morte. Outros como Oderlino de Campos Figueiredo e John Major Viana foram acusados de atentado contra a segurança do transporte aéreo. Além destes, outros investigados enfrentam múltiplas acusações, incluindo até três vezes a violação relacionada ao atentado contra a segurança do transporte aéreo, somadas ao sinistro aéreo com resultado morte.

De acordo com os peritos, a aeronave em questão havia apresentado danos estruturais meses antes do acidente. Além disso, a Justiça havia determinado que a Voepass pagasse R$ 2 milhões em ações trabalhistas antes do desastre aéreo. Após o incidente, a companhia anunciou o cancelamento de voos de Natal e Fortaleza para Noronha, reafirmando, posteriormente, seu compromisso com padrões de segurança.

As investigações revelaram que a aeronave enfrentou condições meteorológicas severas durante o voo, incluindo frente fria, alta umidade e intensa formação de gelo. Embora estivesse equipada com sistema antigelo, foram identificadas falhas no equipamento, não apenas no dia da queda, mas também em três voos anteriores. O relatório menciona que diferentes tripulações não cumpriram a orientação técnica sobre a reinicialização do sistema de degelo, e a Polícia Federal destacou que a ausência do funcionamento adequado do sistema deveria impedir a operação da aeronave em tais condições climáticas.

O voo PTB-2283 estava realizando a rota entre Cascavel, no Paraná, e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A decolagem ocorreu às 11h58 e, pouco antes da descida, a aeronave perdeu altitude de forma abrupta, colidindo com o condomínio Residencial Recanto Florido, em Vinhedo. Comandada pelo piloto Danilo Romano, de 35 anos, e pelo copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva, de 61, a aeronave transportava também as comissárias Debora Soper Avila, de 28 anos, e Rubia Silva de Lima, de 41. Todos os 58 passageiros e os quatro membros da tripulação faleceram, mas não houve vítimas entre os moradores do local atingido.

Ao resumir as conclusões da investigação, a Polícia Federal afirmou que a perda de controle em voo foi a causa do sinistro, resultante do acúmulo de gelo na aeronave, da falha do sistema de degelo e da não execução adequada e em tempo dos procedimentos necessários.

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