Cálculo Renal: Operar a Pedra Não resolve nada!

A Nefrologia alerta: a verdadeira solução está em investigar as causas metabólicas da doença sem isso, as pedras voltam.

 

Por Prof. Dr. Carlos Machado  |  Nefrologia e Clínica Geral

Todo ano, milhões de brasileiros procuram urgências hospitalares com dores lancinantes causadas por pedras nos rins. O tratamento quase sempre segue o mesmo caminho: identificar o cálculo, triturá-lo ou retirá-lo cirurgicamente — e enviar o paciente para casa. O problema é que, em uma proporção alarmante dos casos, as pedras voltam. E voltam porque a causa real nunca foi investigada.

Além disso, ficam sequelas no ureter e rins para o resto da vida, cicatrizes que vão piorar ainda mais a sua doença.

O que é a litíase renal?

A litíase renal — popularmente conhecida como pedra nos rins — é a formação de cristais sólidos no interior dos rins ou das vias urinárias. Esses cristais se formam quando a urina fica super concentrada com determinadas substâncias que, em excesso, precipitam e se acumulam. O resultado é um cálculo que pode variar de milímetros a centímetros e causar obstrução, infecção e dor intensa.  Para formar a primeira pedra pode demorar 15 anos, mas a partir daí você vai produzir várias por ano.

A prevalência da doença no Brasil é estimada em torno de 5 a 10% da população adulta, com tendência de crescimento associada ao sedentarismo, à má alimentação e à ingesta hídrica insuficiente e principalmente por Doenças Metabólicas que no futuro também vão aumentar o risco de Infarto do coração e acidente vascular cerebral. Mais do que uma ocorrência isolada, a litíase renal é uma doença crônica e recidivante. Estudos indicam que, sem investigação e tratamento adequados da causa de base, mais de 50% dos pacientes apresentam novos episódios cada vez pior.

Tipos de cálculos e suas origens

Não existe um único tipo de pedra nos rins. A composição química do cálculo varia conforme o distúrbio metabólico subjacente. O mais importante é identificar a causa e não adianta muito analisar a pedra.

A cirurgia resolve? não.

Não adianta operar, as pedras vão voltar. A litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO) e as abordagens cirúrgicas endoscópicas são procedimentos eficazes para remover os cálculos, MAS NÃO RESOLVEM A CAUSA E AINDA DEIXAM CICATRIZES.

Remover a pedra é necessário, mas com remédios e tratamento sem cirurgia. Mas é apenas o começo. Se o ambiente metabólico que gerou o cálculo não for corrigido, o rim continuará produzindo novas pedras — com a mesma certeza com que um solo ácido continuará matando certas plantas, por mais que se remova as folhas murchas.

PONTO-CHAVE

A cirurgia não resolve o problema, as pedras vão voltar.

 

 

A investigação metabólica: o verdadeiro tratamento

Após a resolução aguda do episódio de cólica ou do cálculo, o passo seguinte deve ser obrigatoriamente a investigação da causa metabólica. Esse processo envolve uma série de avaliações clínicas e laboratoriais que identificam o mecanismo responsável pela formação do cálculo.

Tratamento baseado na causa: é isso que funciona

Uma vez identificado o distúrbio metabólico, o tratamento é direcionado e altamente eficaz.

Hidratação: a medida mais simples e mais negligenciada

Independentemente do tipo de cálculo, a ingesta hídrica adequada é a medida preventiva mais eficaz e acessível disponível. O objetivo é manter diurese superior a 3 litros por dia. Urina clara, de cor amarelo-pálido, é o parâmetro prático que o paciente pode monitorar diariamente.

A desidratação crônica é um dos maiores fatores de risco para a litíase renal. Climas quentes, atividade física intensa e profissões que limitam o acesso à água aumentam o risco. A orientação parece simples — e é. Mas estudos mostram que a maioria dos pacientes com litíase bebe pouca água.

Quando a cirurgia é, de fato, necessária?

Não se trata de negar a cirurgia.  Mas é muito pouco frequente ser realmente necessária. O tratamento clínico com remédios é o essencial.

Existem indicações absolutas para intervenção urológica:

  • Obstrução urinária completa com risco de perda de função renal
  • Infecção associada ao cálculo (pionefroso) — emergência médica
  • Cálculo único em rim único com obstrução
  • Dor refratária ao tratamento clínico
  • Insuficiência renal aguda obstrutiva

Nessas situações, a intervenção é prioritária e insubstituível. O ponto crítico é o que vem depois: após a resolução do episódio agudo, o paciente deve obrigatoriamente ser encaminhado para investigação metabólica completa. A cirurgia resolve o episódio; a investigação resolve a doença.

Conclusão: tratar a doença, não apenas a pedra

A litíase renal é uma doença metabólica crónica com episódios agudos — e não o contrário. Quando investigada e tratada na sua raiz, é uma das doenças renais com melhor prognóstico e maior potencial de controle definitivo.

A mensagem para o paciente é clara:

  1. a cirurgia não vai resolver seu problema
  2. a investigação metabólica é o tratamento real. Ignorá-la é aceitar que a pedra irá voltar.

A mensagem para os sistemas de saúde é igualmente clara: a resolução cirúrgica do cálculo são incompletos e ineficientes. Investigar a causa de cada litíase é mais barato, mais eficaz e mais ético do que operar o mesmo paciente repetidamente.

 

 

Prof. Dr. Carlos Machado — Especialista em Nefrologia e Clínica Geral. Artigo produzido para fins de divulgação científica.

Ajudo a tratar do jeito certo a Hipertensão, Diabetes, Obesidade, infecções renais e a eliminar Pedras dos rins SEM cirurgia.

ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA – UNIFESP

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO

PROFESSOR de Medicina em 3 Universidades

Pós-Doutorado – CORNELL UNIVERSITY

MEMORIAL SLOAN-KETTERING CANCER CENTER

Autor do Livro: ‘’Você é o que você come…’’

 

@DrCarlosMachado (Instagram, Tiktok, Youtube)

Consultório whatsapp +55 11 94565-1396

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