Para determinar se um banco ou instituição financeira é confiável, é fundamental considerar três pilares principais: solidez financeira, proteção ao cliente e regulamentação. O especialista Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, explica que o nível de profundidade da pesquisa varia conforme o conhecimento técnico do interessado.
Um dos primeiros aspectos a ser observado é se a instituição atende aos requisitos básicos de segurança. Todo banco precisa ser autorizado e regulamentado pelo Banco Central (BC), que estabelece níveis mínimos de capital, obrigações de segurança cibernética e requisitos para auditorias. Para bancos que intermediam aplicações de investimento, a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também é necessária. Além disso, a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é essencial, pois garante a devolução de investimentos e depósitos até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira em caso de falência.
Outro fator importante é o capital da instituição, que deve ser suficiente para cobrir riscos relacionados a empréstimos e investimentos. Esse valor, conhecido como Patrimônio de Referência, é avaliado pelo Índice de Basileia, que indica a saúde financeira dos bancos. O Banco Central estipula um limite mínimo de 11%, enquanto a média do sistema é de 17%. Por exemplo, um banco com um Índice de Basileia de 15% possui R$ 15 de capital próprio para cada R$ 100 emprestados.
O rating de crédito também desempenha um papel crucial na avaliação da confiabilidade de um banco. Essa nota, atribuída por agências de risco, reflete a capacidade da instituição de honrar suas dívidas, considerando fatores como gestão de caixa e histórico de pagamentos. As notas variam de AAA, que indicam segurança, até categorias inferiores que refletem maior risco.
Além da análise da inadimplência, é importante observar indicadores como ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), eficiência operacional e margem financeira líquida. A governança corporativa também deve ser considerada, uma vez que mudanças frequentes na gestão podem sinalizar riscos potenciais. Se, por exemplo, um diretor de risco deixa a empresa, isso pode indicar problemas iminentes.
Aspectos de segurança cibernética merecem atenção especial na avaliação da confiabilidade de um banco. Medidas como autenticação em duas etapas, criptografia e inteligência artificial (IA) para identificação de riscos são fundamentais para a proteção dos dados e do dinheiro dos clientes. É recomendável que os usuários conheçam os recursos e orientações de segurança oferecidos por suas instituições financeiras.