O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que as análises preliminares realizadas em azeites de oliva, no contexto de uma ação civil pública, não apresentam resultados conclusivos. Esses testes foram executados em cumprimento a uma determinação judicial em uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF). De acordo com o Mapa, os responsáveis pelos produtos analisados ainda têm o direito de solicitar análises periciais e contraprovas, conforme as normas estabelecidas pela legislação.
Flávio Abino Filho, presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), destacou que, apesar de serem preliminares, os resultados obtidos reforçam as preocupações que a entidade tem manifestado em relação à qualidade de parte dos azeites importados disponíveis no Brasil. Ele ressaltou que alguns produtos, que são comercializados como extravirgem, podem, após a finalização dos procedimentos, ser reclassificados para categorias inferiores, como azeite virgem. Além disso, Flávio mencionou a identificação de produtos que foram classificados preliminarmente como lampantes, uma categoria destinada a azeites impróprios para consumo.
Em nota, o Mapa esclareceu que as informações divulgadas sobre as análises referem-se a resultados preliminares e não têm caráter conclusivo. O Ministério da Agricultura salientou que, por se tratar de um processo judicial, os responsáveis pelos produtos têm o direito à realização de perícias e contraprovas, respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa. Portanto, o Mapa não divulgou oficialmente os resultados ou a identificação de eventuais marcas que estejam relacionadas ao procedimento.
As informações ainda estão passando por validação técnica e administrativa, e, até o momento, referem-se apenas à classificação dos produtos em relação aos padrões estabelecidos. A reivindicação é que os produtos importados continuem a entrar no Brasil, mas que sejam comercializados com a classificação adequada às suas características comprovadas pelas análises oficiais.
Este debate ocorre em um cenário de expansão da olivicultura brasileira, que atingiu um volume recorde de 1,4 milhão de toneladas, com foco em produtos de maior valor agregado, especialmente o azeite extravirgem. O Ibraoliva destaca que uma das vantagens do azeite brasileiro é a possibilidade de comercialização próxima ao período de colheita, com um processo de produção que prioriza a qualidade da azeitona desde a colheita até a extração do azeite.
Flávio enfatizou que uma fiscalização eficaz é essencial tanto para proteger os consumidores quanto para assegurar condições justas de concorrência entre os produtos nacionais e importados. O Mapa reafirmou que somente divulgará informações oficiais sobre os resultados e possíveis marcas após a finalização dos procedimentos técnicos e administrativos previstos na legislação.