O Itamaraty notificou nesta sexta-feira (14) os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em resposta às tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. A notificação foi enviada ao Departamento de Estado, ao Departamento de Comércio e ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos).
No início de junho de 2023, o USTR propôs a imposição de tarifas no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, uma ferramenta que permite aos EUA investigarem e retaliar nações que adotam práticas comerciais consideradas injustas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio ao início desse processo, destacando que não deseja conflito com os Estados Unidos e que está em busca de diálogo com o governo norte-americano.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos começaram a ser aplicadas a partir de fevereiro de 2025, atingindo diversos parceiros comerciais. Na primeira fase, Donald Trump anunciou taxas de 10%, 25% e 25% sobre produtos importados da China, México e Canadá, respectivamente. A medida provocou uma reação em cadeia, levando outros países a se juntarem à lista de alvos das tarifas.
A China, por exemplo, anunciou em 4 de abril de 2025 tarifas de 34% sobre todas as importações dos EUA. Em resposta, Trump intensificou a guerra comercial, estabelecendo taxas de 34% sobre produtos chineses. A escalada das tarifas resultou em uma taxa de 125% sobre produtos dos EUA por parte da China, que foi correspondida com uma elevação tarifária que chegou a 145% por parte dos Estados Unidos.
A disputa comercial entre os dois países se estendeu, culminando em negociações e consultas diplomáticas, enquanto o Brasil também se prepara para possíveis contramedidas. O Ministério das Relações Exteriores começou a notificação formal aos EUA e solicitará consultas, embora a abertura do processo não signifique aplicação imediata de retaliações. O procedimento segue um rito estabelecido, que inclui a análise das medidas consideradas prejudiciais e a avaliação do impacto econômico.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfatizou que a adoção da medida de reciprocidade depende de uma análise cuidadosa e responsável. Ele destacou que o governo está coletando informações junto a empresários para entender os impactos e preocupações em relação a uma eventual adoção de ações de reciprocidade.