Neste domingo (16), o grupo Casas Bahia divulgou um prejuízo bilionário de R$ 10,1 bilhões referente ao segundo trimestre de 2026. O resultado financeiro é alarmante, especialmente quando comparado ao prejuízo de R$ 555 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. Além disso, a empresa enfrenta uma situação crítica, com seu patrimônio líquido negativo em R$ 8,1 bilhões.
Como parte de um esforço para reverter a situação, a Casas Bahia formalizou um pedido de recuperação judicial, sendo esta a segunda vez que a companhia recorre a esse mecanismo, tendo feito a primeira solicitação em abril de 2024, quando renegociou R$ 4,1 bilhões em dívidas.
A crise financeira levou à decisão de fechar 298 lojas em uma nova fase de reestruturação. A medida impactará diretamente o emprego, com a expectativa de que cerca de 3 mil funcionários sejam desligados. Na última quinta-feira (13), aproximadamente 600 empregados já haviam sido dispensados, e mais demissões de 1,3 mil a 1,4 mil estavam previstas para a sexta-feira (14). Anteriormente, a empresa já havia fechado 26 unidades, sendo 12 da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio.
Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa destacou que a alta taxa de juros e o elevado endividamento das famílias são fatores que contribuíram para a crise. A companhia ressaltou que o cenário macroeconômico desafiador, com juros elevados e o consumo das famílias sob pressão, afetou suas operações. A concorrência pelo orçamento doméstico, incluindo as apostas on-line, também foi mencionada como um desafio adicional, levando a uma redução no volume de compras de estoque.
Além das demissões e do fechamento de lojas, a Casas Bahia terminou o segundo trimestre com uma dívida líquida de R$ 1,2 bilhão. As baixas contábeis impactaram ainda mais a situação financeira, totalizando R$ 5,7 bilhões. Esses números incluem Imposto de Renda diferido, ágio, revisões contratuais, e custos relacionados ao fechamento de lojas.
Atualmente, a empresa possui um valor de mercado estimado em cerca de R$ 660 milhões na Bolsa. A gestão da companhia mudou, não sendo mais controlada pela família Klein, e agora a gestora Mapa Capital é a acionista de referência, tendo adquirido 85,5% do capital da Casas Bahia em agosto de 2025.