A atriz Laura Cardoso faleceu na terça-feira, 18, aos 98 anos. A confirmação da notícia foi feita por meio de um post em suas redes sociais. Reconhecida como um patrimônio da televisão brasileira, Laura começou sua carreira nas radionovelas, mas rapidamente se adaptou ao novo formato da televisão, tornando-se uma figura emblemática na história do meio.
Laura Cardoso é lembrada por interpretar personagens marcantes, como a mãe que defendia a filha em "Mulheres de Areia" (1993), a viúva que desafiava tradições em "Caminho das Índias" (2009) e a ex-prostituta que lutava pelos valores morais em "Gabriela" (2012). Sua habilidade de fugir de maniqueísmos tanto na vida pessoal quanto na arte foi uma característica que a destacou. Em um depoimento para uma homenagem aos 65 anos da TV, em 2017, refletiu sobre sua trajetória: "Como gente, também fui humana: errei, acertei, caí, levantei. E olha, eu acho que minha vida foi legal. Acho que valeu".
Considerada uma pioneira da teledramaturgia, Laura deixou um legado de mais de 80 trabalhos na televisão, além de uma vasta experiência em teatro e cinema, totalizando cerca de 120 produções ao longo de sua carreira. Sua trajetória artística começou na adolescência, quando passou em um teste para uma radionovela Na Rádio Cosmos, inspirada por brincadeiras de infância que envolviam assumir diferentes identidades e improvisar palcos com caixotes.
No início de sua carreira, Laura enfrentou preconceitos, especialmente por atuar em um meio que era mal visto para mulheres na época. Ela mesma descreveu como sua atividade Na Rádio Cosmos era reprovada por seus pais e pela sociedade, que não aceitava uma mulher atuando em rádio, teatro ou circo. "Naquele tempo, a mulher que era de teatro, rádio, circo era considerada prostituta. Mas nunca liguei para isso", recordou em entrevista à revista "Quem" em 2012.
Laura Cardoso nunca cogitou a aposentadoria. Em 2012, manifestou seu desejo de trabalhar até o fim, pedindo a Deus que fosse de forma tranquila. Em 2017, já com quase nove décadas de vida, afirmou que não era do seu feitio tirar férias ou se aposentar. "Acho que, se você parar, morre alguma coisa por dentro. Trabalho é vida, faz a cabeça e o corpo funcionarem, o coração pulsar forte", disse ao Extra. Em uma entrevista de 2019, reiterou seu sonho de continuar atuando, enfatizando sua paixão por interpretar bons personagens no teatro, cinema e televisão.