A Guerra da Ucrânia, que teve início em fevereiro de 2022, é um conflito prolongado entre Rússia e Ucrânia, envolvendo um número significativo de voluntários estrangeiros, incluindo brasileiros. De acordo com dados, o Brasil ocupa a terceira posição entre os países cujos cidadãos mais se voluntariaram para lutar no país, além de figurar entre os que mais perderam vidas no conflito, atrás apenas de Estados Unidos e Colômbia.
Sady Neto, um curitibano de 33 anos, chegou à Ucrânia em 18 de julho e, em entrevista, compartilhou sua experiência e a rotina marcada por tensões desde sua chegada. Durante sua primeira missão de combate, Sady e outros cinco brasileiros participaram de uma operação de assalto nas proximidades da linha de frente, uma experiência que ele descreveu como a mais desafiadora até aquele momento.
O grupo de combatentes conseguiu se aproximar a cerca de cinco quilômetros da “linha zero”. No entanto, ao avançarem a pé, foram detectados por um drone de reconhecimento quando estavam a aproximadamente um quilômetro do objetivo. Este reconhecimento foi seguido por um ataque com artilharia e o uso de drones FPV, que têm a função de localizar e atacar as tropas inimigas.
Sady relatou que, diante do bombardeio, o grupo encontrou uma cobertura na mata para se proteger. Ele afirmou que foi uma situação crítica, onde o recuo se tornou necessário após uma série de ataques intensos. Apesar das dificuldades, todos os membros da missão retornaram vivos, mas o curitibano enfatizou que a missão foi extremamente complicada e marcante.
O uso de drones FPV, que são controlados através de óculos que transmitem a visão em tempo real, tem sido uma tática comum no conflito. Sady mencionou que a realidade da guerra exige que os combatentes vivam um dia de cada vez, sublinhando a precariedade da situação e a necessidade de sobrevivência contínua. Ele expressou o desejo de retornar ao Brasil entre janeiro e março do próximo ano, se as circunstâncias permitirem.
A presença de brasileiros na Ucrânia não é uma novidade. O país possui canais de recrutamento oficiais para estrangeiros, com informações disponíveis em português, e há uma companhia militar que é predominantemente composta por falantes do idioma, liderada por brasileiros.