Gordura causa mais da metade dos entupimentos em Curitiba e acende alerta para redes de esgoto de shoppings

Com praças de alimentação, restaurantes e fluxo intenso de consumidores, centros comerciais exigem manutenção preventiva; inspeção por vídeo e novas tecnologias ajudam a identificar falhas antes de uma emergência

A gordura despejada nas redes de esgoto pode parecer um problema restrito às cozinhas, mas os impactos podem avançar pela tubulação e resultar em obstruções, mau cheiro, refluxos e até interrupções em áreas de grande circulação.

Em Curitiba, dados da Sanepar referentes a 2023 apontaram que 51,26% das obstruções registradas na rede coletora de esgoto tiveram a gordura como causa. Foram, em média, 682 ocorrências por mês, cerca de 22 por dia, com custo de R$ 2,35 milhões apenas para os trabalhos de desobstrução.

O cenário chama atenção especialmente para empreendimentos como shopping centers, que concentram restaurantes, operações de alimentação, banheiros e milhares de consumidores diariamente. No Brasil, os 658 shoppings recebem aproximadamente 471 milhões de visitas por mês, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Para Vinícius Nass, CEO da Hidrocano, empresa especializada em saneamento e manutenção de redes, a combinação entre alto fluxo de pessoas e operações de alimentação exige que a tubulação seja tratada como parte estratégica da infraestrutura do empreendimento.

“Em um shopping, um problema na rede de esgoto não fica restrito à tubulação. Ele pode atingir uma praça de alimentação, um corredor, uma loja ou uma área de atendimento ao público. Quando isso acontece em horário de funcionamento, o impacto deixa de ser apenas técnico e passa a ser operacional”, explica.

Segundo Nass, a mudança de comportamento está justamente em substituir a lógica de chamar uma desentupidora somente quando o problema aparece por um modelo de acompanhamento preventivo.

“Quando a manutenção acontece apenas depois do entupimento, o empreendimento já está lidando com a consequência. Com inspeção e histórico da rede, conseguimos identificar pontos críticos e programar intervenções antes que uma obstrução interrompa a operação”, afirma.

Entre as tecnologias utilizadas nesse processo está a inspeção por vídeo, realizada com equipamentos capazes de percorrer internamente as tubulações.

As imagens permitem identificar acúmulos de gordura e resíduos, pontos de obstrução, alterações estruturais e outros indícios que ajudam a definir qual intervenção é necessária.

“É uma mudança importante porque deixa de existir uma manutenção baseada em tentativa. O gestor passa a enxergar o problema, saber exatamente onde ele está e tomar uma decisão com muito mais informação”, diz Nass.

Na Hidrocano, os atendimentos também geram um histórico digital das redes. Data, horário, ponto atendido, serviço executado, equipe responsável e registros fotográficos do antes, durante e depois ficam armazenados para consulta dos gestores.

Para o executivo, essa organização é especialmente importante em grandes empreendimentos.

“Imagine um shopping com centenas de pontos de alimentação, banheiros e uma extensa rede de tubulações. Sem histórico, cada problema parece um evento isolado. Quando os dados são organizados, é possível descobrir que determinado trecho apresenta recorrência e agir sobre a causa antes de uma nova emergência”, destaca.

Outro método que começa a ganhar espaço no mercado brasileiro é o CIPP, sigla em inglês para Cured-in-Place Pipe, utilizado para recuperar determinadas tubulações internamente.

A técnica permite criar um novo revestimento dentro da estrutura existente, reduzindo a necessidade de grandes escavações ou demolições para acessar a rede.

Em um shopping center, onde quebrar pisos e interditar áreas pode afetar lojistas e consumidores, diminuir a interferência de uma obra representa um diferencial importante.

“Existem situações em que é possível recuperar a tubulação sem transformar a manutenção em uma grande obra. Para um empreendimento que precisa continuar funcionando, essa redução de impacto faz muita diferença”, afirma Vinícius Nass.

Com mais de 30 anos de atuação no segmento de saneamento, a Hidrocano vem direcionando sua estratégia para um modelo de manutenção baseado em tecnologia, registros e previsibilidade.

Para Nass, a principal transformação do setor será justamente fazer com que grandes empreendimentos conheçam suas redes da mesma forma que acompanham outros sistemas essenciais.

“Uma tubulação normalmente só chama atenção quando falha. Nosso trabalho é fazer com que o gestor conheça a condição daquela rede antes disso. A tecnologia permite sair da emergência e entrar na gestão de risco”, conclui.

Serviço

Hidrocano
Atuação: saneamento, desentupimento, inspeção por vídeo de tubulações, manutenção preventiva e recuperação de tubulações pelo método CIPP
Site: www.desentupidorahidrocano.com.br
Instagram: @hidrocanocuritiba

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