A Saint-Gobain anunciou o fechamento de sua fábrica da marca Isover, localizada em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, encerrando assim uma operação que se estendeu por 75 anos. A decisão resultou na desativação das linhas de produção de lã de vidro e nos fornos da unidade, que esteve em funcionamento desde 1951. Apesar do fechamento, o imóvel permanecerá sob a administração do grupo francês, que planeja transformá-lo em um Centro de Distribuição para o mercado brasileiro.
O fim das atividades na fábrica da Isover não implica na saída da Saint-Gobain do Brasil. Os produtos da marca continuarão disponíveis no país, agora através da nova estrutura logística que será implantada. A mudança representa o encerramento de um ciclo significativo na capital paulista, onde a marca se destacou por suas soluções de isolamento térmico e acústico.
A decisão de encerrar a produção foi resultado de um processo de negociação com órgãos reguladores, incluindo a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de São Paulo e a CETESB em dezembro de 2025. Essa ação foi impulsionada por reclamações da comunidade local sobre problemas como fumaça, odores e ruídos, além de infrações ambientais relacionadas às emissões atmosféricas que ultrapassavam os limites permitidos.
Para minimizar os impactos sobre os colaboradores, a transição ocorreu de forma gradual. A nova estrutura em Santo Amaro será adaptada para funcionar como um polo de armazenagem, assegurando que a Saint-Gobain continue a fornecer soluções para sua cadeia de clientes, mesmo com o fechamento da fábrica.
Em meio a essa reestruturação, a presença da Saint-Gobain no Brasil se mantém sólida. O grupo conta com aproximadamente 160 mil colaboradores mundialmente e opera diversas fábricas, lojas e marcas no setor da construção civil no país. A adequação do espaço em Santo Amaro visa garantir a continuidade do portfólio de produtos no mercado nacional.
Adicionalmente, a empresa se comprometeu a seguir com as etapas de remediação e acompanhamento do terreno em São Paulo até 2028, atendendo a todas as exigências ambientais necessárias. O impacto econômico dessa mudança também é notável, já que a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) divulgou um estudo que prevê uma queda de 2,9% no PIB brasileiro devido a alterações na jornada de trabalho, refletindo as complexidades do setor produtivo.