Um colar de ouro, estimado em R$ 2 milhões, que foi presenteado ao jogador Neymar pelo influenciador Buzeira, levantou suspeitas que resultaram em investigações pela Polícia Civil de São Paulo. Este presente foi o ponto de partida para a descoberta de um mercado ilegal de ouro, concentrado em uma área comercial conhecida como "Círculo de Fogo". Apesar de Neymar ser mencionado, ele não é alvo das investigações da Operação Ouro Reverso, sendo apenas citado como receptor do presente.
O "Círculo de Fogo" foi identificado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) como o centro de processamento do esquema criminoso. A região se tornou o foco da segunda fase da operação, realizada no dia 24. As investigações revelaram que o local abriga empresas e comércios de fachada que fazem parte de uma rede que rouba e furta joias e alianças de ouro.
O funcionamento do esquema é dividido em três etapas. A primeira consiste no roubo das joias, onde as quadrilhas realizam os crimes nas ruas. Em seguida, ocorre a receptação, quando o ouro roubado é vendido para estabelecimentos dentro do "Círculo de Fogo". Por fim, a terceira etapa é o derretimento, onde o ouro das joias furtadas é fundido nas empresas, tornando difícil a identificação das peças originais e ocultando sua proveniência criminosa.
Esse último processo é considerado pela Polícia Civil como essencial para a operação ilícita. Ao derreter o ouro, os receptadores conseguem disfarçar a origem das peças, facilitando sua inserção no mercado formal.
As investigações que levaram ao mapeamento do "Círculo de Fogo" começaram em 2025, impulsionadas pelo episódio do colar dado a Neymar. A primeira fase da Operação Ouro Reverso, realizada em maio de 2025, resultou na prisão de Rony Gonçalves, um dos principais negociadores de ouro roubado em São Paulo. Ele estaria ligado a um esquema liderado por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como "Mainha do Ouro", que supostamente fornece suporte financeiro e operacional para as quadrilhas envolvidas nos assaltos.
Na fase mais recente da operação, a polícia cumpriu quatro mandados de prisão e 28 de busca e apreensão em São Paulo e Guarulhos. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 34 milhões em bens e valores relacionados aos investigados. A defesa dos envolvidos na operação ainda não foi localizada e o espaço permanece aberto para manifestações.