A gordura abdominal, o açúcar alto e a pressão elevada não são problemas separados. Juntos, podem formar uma corrente que adoece vasos, coração e rins.
Por Prof. Dr. Carlos Machado | Nefrologia e Clínica Geral
Durante muito tempo, obesidade, diabetes, pressão alta, doença dos rins e doença do coração foram tratadas como assuntos separados. Hoje sabemos que elas conversam o tempo todo. Quando uma piora, pode empurrar as outras na mesma direção.
O que é essa síndrome?
O nome dessa doença é síndrome renal-metabólica-cardiovascular, também conhecida pela sigla CKM. Não é uma doença única. É uma forma de entender a ligação entre excesso de gordura, alteração do açúcar no sangue, pressão alta, colesterol e triglicérides, rins e circulação.

Gordura abdominal e resistência à insulina favorecem açúcar e pressão altos. Os vasos sofrem, e coração e rins entram numa relação de mão dupla. Ilustração educativa.
Como começa o ciclo
A gordura acumulada na barriga não é apenas uma reserva de energia. Ela pode liberar substâncias que aumentam a inflamação e dificultam a ação da insulina. O corpo passa a precisar de mais insulina para controlar o açúcar. Com o tempo, podem aparecer pré-diabetes e diabetes.
Ao mesmo tempo, há maior retenção de sal, alteração do colesterol e aumento da pressão. A parede dos vasos perde saúde. O coração trabalha mais. Os filtros dos rins recebem essa agressão todos os dias.
| UM DADO IMPORTANTE
Nos Estados Unidos, 1 em cada 3 adultos já apresenta três ou mais fatores ligados a problemas cardiovasculares, metabólicos ou renais. O número mostra como essa combinação é comum — e por que a prevenção não pode esperar. |
Um órgão puxa o outro
O rim doente elimina começa a errar no controle da pressão arterial, no controle do sal e água e participa de mecanismos que aumenta risco de infarto e derrame. A pressão alta, por sua vez, machuca os pequenos vasos dos rins. O diabetes também lesa esses filtros. Quando o coração enfraquece, chega menos sangue aos rins; quando os rins falham, líquido e toxinas aumentam o esforço do coração.
Pode avançar sem dar sinais
A pessoa pode se sentir bem enquanto a cintura aumenta, o açúcar sobe, a pressão fica alta e aparece proteína na urina. Por isso, esperar por sintomas é um erro. Em fases mais avançadas, crescem os riscos de infarto, derrame, insuficiência cardíaca, má circulação nas pernas e perda da função renal.
O que vale a pena acompanhar
- circunferência da cintura e peso;
- pressão arterial;
- glicemia e hemoglobina glicada;
- colesterol e triglicérides;
- creatinina, com cálculo da função dos rins;
- albumina ou proteína na urina.
| ATENÇÃO
Creatinina normal, sozinha, não conta toda a história. Em pessoas com diabetes, pressão alta ou doença cardiovascular, a avaliação dos rins deve incluir a função estimada e a pesquisa de albumina na urina, conforme orientação médica. |
Como quebrar essa corrente
Não existe uma solução isolada. O melhor resultado vem do cuidado conjunto: reduzir alimentos ultraprocessados, açúcar em excesso e sal; comer mais alimentos naturais; movimentar o corpo; dormir bem; não fumar; reduzir o excesso de peso; e tratar pressão, diabetes e colesterol. Em resumo adotar uma Alimentação mais saudável, como a “Dieta de Adão e Eva”.
Alguns medicamentos atuais podem proteger mais de um órgão ao mesmo tempo, mas a escolha depende do quadro de cada pessoa. Não comece, troque ou interrompa remédios por conta própria.
| MENSAGEM AO LEITOR
Cintura, açúcar, pressão, coração e rins fazem parte da mesma conversa. Descobrir cedo permite agir cedo. Pequenas mudanças sustentadas, exames simples e tratamento bem acompanhado podem interromper o ciclo antes que o dano se torne permanente. |
![]() |
Prof. Dr. Carlos Machado — Especialista em Nefrologia e Clínica Geral. Artigo de divulgação científica.
ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA – UNIFESP UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO PROFESSOR de Medicina em 3 Universidades Pós-Doutorado – CORNELL UNIVERSITY MEMORIAL SLOAN-KETTERING CANCER CENTER Autor do livro: ‘Você é o que você come…’ @DrCarlosMachado (Instagram, Tiktok, Youtube) Consultório WhatsApp +55 11 94565-1396 |
Fontes: American Heart Association — Cardiovascular-Kidney-Metabolic Health (2023) e Guideline CKM (2026); KDIGO — Diretriz de Doença Renal Crônica (2024).
