Categoria desempenha bem durante todo o primeiro semestre do ano, acenando para quebra de recordes em vendas
Com preços mais convidativos, o mercado de carros usados segue aquecido em 2026. Enquanto os carros 0 km registram preços altos e apenas a primeira ligeira diminuição no preço após seis anos, os usados e seminovos batem recordes nas vendas. A diversidade de modelos é um dos fatores que elevaram a busca por esse segmento de automóveis.
Desempenho dos carros usados no mercado
Durante todo o primeiro semestre de 2026, os carros usados se sobressaíram nas vendas quando comparados a qualquer outra categoria. De janeiro a julho de 2026, foram quase 11 milhões de vendas. O número representa um incremento de 7,7% quando comparado ao mesmo período do ano anterior.
Quando comparada à venda diária, os usados também levam vantagem. O crescimento foi de mais de 9,2% na comparação com 2025. Ambos os dados foram divulgados pela Fenauto, a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores. A projeção é que haja uma quebra de recordes no setor.
Até o final do ano, espera-se que cerca de 20 milhões de veículos usados e seminovos sejam comercializados no Brasil, um número jamais alcançado. Dentre os automóveis mais vendidos, os populares se destacam. Veículos como o Chevrolet Onix, um dos mais vendidos, o Fiat Palio e o Volkswagen Gol, líder em vendas, encabeçam as listas.
O que impulsiona o consumo
A razão por trás desses fenômenos de vendas tem diferentes causas. A primeira é certamente o preço do carro 0 km. O carro popular hoje, isto é, um veículo de entrada, custa não menos que R$ 75 mil. Um carro seminovo pode custar a metade ou até menos que isso. Na realidade, o mercado faz o preço do carro usado.
Idade também não é um problema para os consumidores. Carros com 13 anos de uso ou mais representaram quase 40% das vendas da categoria de usados e seminovos no mês de abril, por exemplo, somando mais de 500 mil unidades vendidas. Nesse mesmo mês, o mercado da categoria registrou um volume cinco vezes maior que o de carros novos.
Ou seja, o brasileiro prefere gastar menos e ter um carro mais velho a investir em um novo. Uma vantagem para quem faz essa opção é driblar a desvalorização e a depreciação do 0 km.
Em alguns casos, a depender do carro e das condições do mercado, o veículo usado pode até manter ou aumentar seu valor de revenda.
Obviamente, é preciso que o carro usado esteja em boas condições. A conservação é fundamental e pré-requisito para uma boa revenda. Os compradores são exigentes e sabem avaliar as partes importantes do carro, como o próprio motor, funilaria, estofamento e muito mais.
O cenário com a chegada dos chineses
A grande demanda provocou um aumento nos preços, ou seja, uma valorização do usado, fenômeno observado durante todo o primeiro semestre de 2026. Contudo, a entrada maciça de veículos chineses eletrificados no Brasil tem produzido um efeito importante. Ao aumentar a competitividade, ela forçou o preço do carro novo para baixo.
Com estoques ainda elevados, muitas lojas e concessionárias têm oferecido mais descontos para venderem seus carros novos, principalmente aqueles movidos a combustão, e, assim, conseguir concorrer com os elétricos importados. Contudo, os carros usados seguem uma trajetória própria, mantendo-se competitivos.
Numa reação em cascata, o preço do seminovo também passou a cair, principalmente nos meses de julho e agosto de 2026. De acordo com o índice IBV Auto, criado pelo banco BV, julho registrou um aumento de apenas 0,07% no preço frente à alta de 0,57% no mês anterior, representando uma desaceleração no setor.
De qualquer forma, os carros usados seguem sendo uma opção importante para as famílias que precisam de um automóvel para se locomover. Com peças de reposição mais baratas, preços mais interessantes e grande diversidade de modelos, a categoria deve seguir um caminho de bons resultados no varejo por algum tempo.