A colaboração da China com o Irã tem se tornado cada vez mais evidente, conforme análise de Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC-Minas. Em entrevista ao WW, Zahreddine discutiu os desdobramentos de um recente acordo entre Irã e Omã sobre o Estreito de Ormuz, destacando o papel fundamental que Pequim exerce na sustentação do regime iraniano.
Zahreddine enfatizou que a relação entre os dois países vai além de meros interesses econômicos. Ele afirmou que a China não apenas colabora ativamente com o Irã, mas o faz de maneira pública, respondendo de forma imediata ao que ele chamou de “dia D” das sanções contra o Irã. Essa postura demonstra o comprometimento da China com seu parceiro no Oriente Médio.
O especialista também apontou que a relevância do Irã para a China não se limita à importação de 90% do petróleo iraniano. Para Zahreddine, o Irã atua como uma “cabeça de ponte” crucial para os interesses chineses na região, especialmente em um contexto de ordem mundial multipolar que a China busca fortalecer.
Em suas observações, Zahreddine esclareceu que, mesmo que o Irã tenha visto uma diminuição em sua influência no cenário xiita global, ele ainda se posiciona como um ponto de resistência importante contra as propostas unipolares ou multipolares desequilibradas promovidas pelos Estados Unidos.
Para a China, a manutenção do regime iraniano é vital. Zahreddine destacou que essa continuidade é essencial para limitar a possibilidade de um mundo unipolar ou multipolar desbalanceado, que poderia prejudicar os interesses chineses.
O professor também fez um alerta sobre os limites da pressão americana em relação às relações da China com o Irã. Ele questionou até que ponto os Estados Unidos estariam dispostos a tomar medidas que afetassem empresas chinesas, argumentando que tal ação poderia resultar em um “tiro de bumerangue”, prejudicando também a economia americana e suas próprias empresas.