O ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, se encontrarão nesta segunda-feira (31) para reiniciar as negociações entre Brasil e Estados Unidos, interrompidas após a imposição de tarifas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.
A retomada desse diálogo técnico foi estimulada por um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex-presidente Donald Trump, realizado no dia 21 de agosto. A reunião, que ocorrerá por videoconferência, está agendada para às 14h30 e visa discutir as implicações das tarifas que os EUA aplicaram sobre produtos brasileiros.
Os Estados Unidos oficializaram uma nova tarifa de 25% sobre diversos itens brasileiros, conforme uma recomendação do USTR, que se baseou em uma investigação da Seção 301 da Lei de Comércio americana. Além disso, foi confirmada a imposição de uma nova tarifa de até 12,5% para o Brasil e outros países que não conseguiram mitigar a importação de produtos relacionados ao trabalho escravo.
Apesar da reunião programada, o governo brasileiro acredita que não haverá progresso significativo nas negociações sobre as tarifas. A perspectiva é de que qualquer acordo só seja alcançado após as eleições de 2024. Lula tem afirmado a interlocutores que está disposto a discutir todos os temas com os EUA, porém, sem abrir mão de questões essenciais para o Brasil, como a proteção dos minerais críticos e do sistema de pagamentos PIX.
O Brasil demonstrou disposição para debater a redução das alíquotas de bens de capital, além de estar aberto a conversas sobre o etanol, desde que haja uma análise conjunta da política de biocombustíveis e da cadeia produtiva do açúcar. Atualmente, a tarifa brasileira sobre o etanol de milho dos EUA é de 18%, enquanto a taxa anterior sobre o etanol brasileiro era de 12,5%.
O processo de abertura para retaliações contra produtos ou empresas norte-americanas, no entanto, não significa que as medidas serão aplicadas de forma automática. O procedimento segue os protocolos estabelecidos pela Lei da Reciprocidade Econômica, que prevê análises detalhadas antes da adoção de contramedidas. Para iniciar esse processo, é necessário identificar as medidas consideradas prejudiciais, os setores afetados e uma estimativa do impacto econômico.