O presidente da República Islâmica do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que seu país retribuirá imediatamente caso os Estados Unidos voltem a cumprir os compromissos estabelecidos em um acordo provisório assinado em junho. A afirmação foi feita durante a cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai, realizada em Bishkek, Quirguistão, e surge após uma série de ataques diretos entre as duas nações, que começaram no final de julho. Os EUA atacaram a ilha de Larak, enquanto o Irã retaliou com ataques a duas bases militares americanas na Jordânia.
Pezeshkian enfatizou sua posição ao afirmar: "Estou afirmando claramente que, se os Estados Unidos retornarem aos compromissos assumidos no Memorando de Entendimento, a República Islâmica do Irã retribuirá imediatamente". O presidente referia-se ao acordo que tinha como objetivo encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro, após ataques de EUA e Israel ao Irã, mas que rapidamente se deteriorou devido a divergências sobre sua aplicação.
A liderança iraniana tem reiterado que permitirá a livre navegação pelo Estreito de Ormuz, essencial para o trânsito global de petróleo, apenas se Washington cumprir com os termos do acordo. Na mesma cúpula, Pezeshkian destacou que a guerra não é do interesse de ninguém e que Teerã permanece aberto a uma solução negociada para o conflito com os Estados Unidos.
Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a retomada dos ataques não implica um retorno a uma guerra em larga escala. Ele fez essas considerações durante uma coletiva de imprensa no Salão Oval, onde também descartou a possibilidade de utilizar armas nucleares contra o Irã, afirmando que o país já se encontra "militarmente derrotado". Trump considerou a pergunta sobre o uso de armas nucleares como "estúpida", ressaltando a situação de vulnerabilidade do Irã.
Durante a coletiva, Trump afirmou que as defesas aéreas dos EUA conseguiram derrubar todos os mísseis iranianos que poderiam ter causado danos, além de mencionar que as novas sanções econômicas impostas por seu governo estavam gerando um impacto significativo sobre o Irã. Trump também comentou sobre as instruções que deixou para retaliar o Irã, caso algo ocorra com ele, reafirmando sua postura agressiva em relação ao país.
A escalada de tensões entre as duas nações levanta preocupações sobre a estabilidade na região e o impacto que um conflito prolongado poderia ter sobre o fornecimento global de petróleo, especialmente considerando a importância do Estreito de Ormuz para o comércio internacional.