Para custear o tratamento de saúde da filha e manter a família unida, a catarinense radicada em Curitiba venceu preconceitos no comércio local e construiu uma trajetória de 22 anos na moda circular
Empreender por amor e por necessidade é uma realidade que transforma vidas, e a trajetória de Sonia Zaffo Desordi é o retrato fiel dessa entrega. Ex-bancária e moradora de Curitiba há 26 anos, ela se viu diante de um grande desafio quando sua primeira filha, Natália, nasceu prematura de seis meses, demandando acompanhamento médico constante por conta da paralisia cerebral e da perda auditiva. Sem condições de trabalhar fora no modelo tradicional e com a rotina do marido na estrada como caminhoneiro, Sonia precisava encontrar uma alternativa para cuidar da família e gerar renda.
A virada de chave veio ao assistir a uma reportagem na televisão sobre negócios próprios. A ideia de trabalhar em casa ganhou força e contou com o abraço da família: com apenas sete sacolas de roupas infantis doadas pela mãe e pela irmã, além do apoio do pai para a compra dos primeiros cabides e araras, nascia o Brechó Infantil Perereca Sapeka, pioneiro no segmento no bairro Santa Felicidade e um dos primeiros da capital paranaense.
Pioneirismo e superação do preconceito
Quando abriu as portas, há mais de duas décadas, o conceito de brechó e consumo consciente ainda enfrentava resistência e preconceito no comércio tradicional. Sem redes sociais ou ferramentas digitais, a divulgação do negócio foi feita inteiramente no boca a boca, conquistando a confiança dos clientes pelo critério rigoroso na escolha das peças e no atendimento humano.
“Muitas pessoas compravam, mas não contavam que era de brechó. Com o tempo, a qualidade e o carinho do atendimento falaram mais alto. Hoje, vivo a emoção de atender clientes daquela época que agora voltam à loja como avós, buscando roupinhas para os netos no mesmo endereço da nossa rua”, conta Sonia.

Força familiar e os desafios do caminho
Ao longo dos anos, o negócio evoluiu de um acervo de roupas infantis e aluguel de fantasias para a inclusão de móveis novos e seminovos, artigos para bebês e brinquedos. O crescimento exigiu a transição do marido de Sonia, que deixou as estradas por motivos de saúde para assumir o suporte operacional, as entregas e a manutenção das peças, transformando a loja em uma empresa estritamente familiar.
A caminhada, contudo, exigiu adaptações contínuas. A rotina de cuidados com a saúde de Natália passou por momentos delicados ao longo da juventude da jovem, exigindo que a família reorganizasse o formato da loja e a própria moradia para morar sobre o ponto comercial. A união do casal e a presença constante da filha caçula, Valentina, foram fundamentais para manter a estrutura do negócio e do lar em equilíbrio.
Orgulho de uma trajetória construída com afeto
Às vésperas de completar 22 anos de loja física no próximo mês de novembro, Sonia olha para trás com o sentimento de dever cumprido e orgulho da própria caminhada. O espaço que começou de forma simples tornou-se a fonte de sustentabilidade da casa e um ponto de referência e acolhimento para a comunidade de Santa Felicidade.
“Sou do interior de Santa Catarina, vim para uma capital e montei o primeiro brechó infantil do bairro. Só tenho motivos para me orgulhar de mim mesma e de quem esteve ao meu lado. É muito gratificante olhar para trás e ver tudo o que construímos.”

3 Pilares para empreender com sustentabilidade
Com a autoridade de quem mantém uma operação física há mais de duas décadas, Sonia compartilha os conselhos práticos que garantiram a longevidade do seu negócio:
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Gestão e precificação consciente: Entenda os custos reais do seu produto. No segmento de seminovos, trabalhe com margens coerentes (como a metade do valor de uma peça nova) para garantir justiça no preço e giro de estoque.
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Priorize a qualidade: O cliente só retorna se confiar no que está levando. Manter a curadoria rigorosa das mercadorias é a chave para a fidelização em qualquer setor.
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Acolhimento no atendimento: Trate cada pessoa com respeito, carinho e transparência. Fazer o trabalho bem feito não custa mais caro e é o grande diferencial competitivo frente ao mercado.
Quer ver a sua história contada aqui na Coluna Bora, Empreender?! do Jornal Folha de Curitiba?
Mande um e-mail com a sua trajetória e o seu projeto para: kelbraga.folhadecuritiba@gmail.comFonte: Assessoria de Imprensa. / Fotos: Divulgação.