Desert Women Summit Brasil reúne empresárias, executivas e especialistas em uma jornada que transforma o território marroquino em espaço de conhecimento, conexões e novas perspectivas sobre liderança feminina
Entre os dias 1º e 10 de setembro, o Marrocos recebe a terceira edição do Desert Women Summit Brasil (DWS), encontro internacional que reúne mulheres de diferentes setores para uma agenda que conecta empreendedorismo, liderança, saúde, longevidade, políticas públicas, inovação, comportamento, independência financeira e impacto social.

Idealizado por Janaína Araújo, fundadora e CEO do projeto, o DWS chega à terceira edição aprofundando uma proposta que vai além do formato convencional de congresso. Os painéis acontecem dentro de uma jornada de imersão que utiliza o próprio território marroquino, sua cultura e seus contrastes como parte da experiência.

Em 2026, o encontro reúne nomes como Sophia Martins, Luiza Brunet, Fabiana Scaranzi, Sofia Patsch, Carol Scaff, Maite Faitarone, Tatiane Mandelli, Cristiane Morandin, Jamile Davies e Janaína Araújo, além de outras lideranças de diferentes setores.

“Quando retiramos uma liderança do ambiente que ela controla, mudamos também a forma como ela observa, escuta e questiona. Foi isso que o deserto me ensinou. O DWS não nasceu para transportar uma conferência brasileira para o Marrocos. O contexto faz parte da conversa”, afirma Janaína Araújo.
Empreendedorismo: da geração de renda à construção de patrimônio
Um dos principais debates desta terceira edição colocou o empreendedorismo feminino sob uma perspectiva que ultrapassa a abertura ou gestão de uma empresa.

Sophia Martins, Simone Sancho, Maite Faitarone e Talita Cruz estiveram entre os nomes ligados à discussão sobre empreendedorismo, trazendo diferentes olhares sobre negócios, posicionamento, geração de riqueza, autonomia e construção patrimonial.
Sophia Martins, que participa pelo segundo ano consecutivo do encontro e atua como Embaixadora de Empreendedorismo do DWS Circle, levou ao debate sua experiência no mercado imobiliário e abordou a relação entre empreendedorismo feminino, independência financeira e alavancagem patrimonial por meio dos imóveis.

A discussão parte de uma mudança importante de perspectiva: não basta incentivar mulheres a empreender. É necessário ampliar o conhecimento sobre dinheiro, patrimônio, investimentos, negociação e estratégias capazes de transformar renda em riqueza de longo prazo.
Corpo, mente e vida: os novos caminhos da longevidade
Saúde e longevidade também ocuparam espaço central na programação.
Com diferentes especialistas e lideranças, entre elas Cristiane Morandin, Carol Scaff e Fabiana Scaranzi, o tema trouxe uma pergunta especialmente atual: viver mais é uma conquista, mas com que saúde queremos chegar lá?
O debate ampliou o conceito de longevidade para além da idade cronológica. Saúde física, equilíbrio emocional, prevenção, qualidade de vida, carreira e autonomia financeira passam a fazer parte de uma mesma discussão.
Para mulheres que vivem cada vez mais, trabalham por mais tempo e ocupam novas posições sociais e profissionais, pensar longevidade significa também planejar as próximas décadas de vida.
Mulheres, política e espaços de decisão
A participação feminina nos espaços de poder também integrou os debates do DWS.
O encontro trouxe reflexões sobre políticas públicas, representatividade e participação das mulheres nas decisões que influenciam empresas, instituições e a própria sociedade.
A discussão ultrapassou o campo partidário para abordar cidadania, influência e presença feminina nos ambientes em que decisões são efetivamente tomadas.
A mensagem é simples, mas relevante: aumentar o número de mulheres preparadas para ocupar posições de liderança também significa ampliar a diversidade de experiências presentes nas decisões.
Violência contra a mulher e autonomia
Outro eixo importante tratou da violência contra a mulher e das condições necessárias para romper ciclos de vulnerabilidade.
A presença de Luiza Brunet, cuja trajetória pública também é marcada pela atuação em defesa das mulheres, contribuiu para uma discussão que relaciona violência, informação, independência financeira, redes de proteção e reconstrução da autonomia.
O debate reforçou que violência não se restringe à agressão física. Pode assumir dimensões psicológicas, morais, sexuais e patrimoniais.
Dentro de um encontro dedicado à liderança feminina, o assunto ganha uma dimensão ainda maior: não existe liberdade plena quando uma mulher não possui segurança ou condições econômicas para fazer suas próprias escolhas.
Comunicação, comportamento e influência
A transformação da comunicação e a responsabilidade de quem ocupa espaços de influência também atravessaram as conversas desta edição.
Nomes como Fabiana Scaranzi, Sofia Patsch e Tatiane Mandelli, entre outras profissionais presentes no encontro, contribuíram para ampliar a discussão sobre comportamento, imagem, comunicação e as novas formas de construir relevância em um mundo marcado pela velocidade da informação e pela inteligência artificial.
Em um ambiente em que produzir conteúdo se tornou cada vez mais simples, confiança, credibilidade, repertório e coerência passam a funcionar como ativos ainda mais valiosos.
Da teoria à realidade: encontro com mulheres marroquinas
A terceira edição também ampliou a aproximação do DWS com mulheres de comunidades locais do Marrocos.
Parte da programação foi dedicada ao contato com uma cooperativa feminina formada também por mulheres viúvas e mães de filhos com necessidades especiais, que encontram no trabalho coletivo, no artesanato e na produção local caminhos para geração de renda e maior autonomia.
A experiência transportou para a realidade vários conceitos discutidos durante os painéis.
Empreendedorismo, naquele contexto, não significa necessariamente construir uma grande empresa. Pode significar conquistar renda própria, sustentar uma família, aprender uma atividade produtiva e recuperar a possibilidade de escolher o próprio futuro.
Foi um encontro que colocou lado a lado diferentes realidades femininas e mostrou que independência financeira assume diferentes dimensões de acordo com o contexto social e econômico de cada mulher.
Um congresso em que o território também ensina
Em sua terceira edição, o DWS reforça uma característica própria: o Marrocos não funciona apenas como endereço do encontro.
O território faz parte da experiência.
Deserto, cultura, comunidades, gastronomia, história e convivência criam um ambiente em que as discussões dos painéis deixam a sala e encontram a realidade.
“O meu objetivo não é que uma mulher volte do Marrocos dizendo apenas que fez uma viagem maravilhosa. Quero que ela volte fazendo perguntas melhores sobre sua empresa, sua saúde, seu patrimônio, sua influência e sobre o impacto que é capaz de produzir. Para mim, é aí que a experiência ganha valor”, afirma Janaína Araújo.
Ao reunir discussões sobre patrimônio, empreendedorismo, longevidade, política, comunicação, violência contra a mulher e impacto social, a terceira edição mostra que esses temas não existem isoladamente.
Eles fazem parte de uma discussão maior sobre autonomia: para empreender, construir patrimônio, cuidar da própria saúde, ocupar espaços de decisão, romper ciclos de violência e escolher os próximos capítulos da própria trajetória.
No DWS, o Marrocos deixa de ser apenas cenário. Torna-se parte de uma experiência que aproxima culturas, provoca novas perspectivas e mostra que, muitas vezes, mudar o lugar de onde observamos o mundo também transforma aquilo que conseguimos enxergar.