Canadá implementa tarifas de retaliação contra EUA em meio a tensões comerciais

As tarifas de retaliação do Canadá sobre produtos dos Estados Unidos começaram a valer na madrugada desta terça-feira (8), em um cenário de crescente tensão entre os dois países. O primeiro-ministro Mark Carney intensificou a pressão sobre o maior parceiro comercial do Canadá após as negociações terem fracassado no mês anterior, prolongando uma disputa comercial que já dura 18 meses.

Essas tarifas, que abrangem um montante de US$ 20 bilhões em produtos norte-americanos, aplicam alíquotas que variam de 15% a 50% sobre uma gama de itens, incluindo aço, móveis, roupas e eletrônicos. A resposta do Canadá, que é considerada um equivalente dólar por dólar, representa uma escalada significativa nas relações comerciais entre os vizinhos, que trocaram acusações sobre a falha nas negociações que, há duas semanas, pareciam estar próximas de um desfecho.

A intensificação das tensões levanta preocupações sobre o futuro do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que está sujeito a revisões anuais, principalmente após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter se recusado a prorrogar o acordo por mais uma década. Michael Harvey, diretor-executivo da Canadian Agri-Food Trade Alliance e membro do comitê consultivo de Carney, expressou preocupação com a possibilidade de uma espiral de escalada nas relações comerciais.

Harvey também ressaltou que, apesar de compreender a necessidade do primeiro-ministro em buscar áreas de influência, a situação é delicada. As tarifas impostas pelos Estados Unidos, que começaram no mês anterior, afetaram diversos setores, como vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pesca e equipamentos de hóquei, totalizando US$ 20 bilhões, o que representa 5% das exportações canadenses para os EUA.

Dados do governo canadense indicam que, neste ano, o Canadá direcionou quase 68% de suas exportações para os Estados Unidos, sendo que cerca de 80% desse total foi realizado sem tarifas devido às isenções previstas no USMCA. As novas tarifas impostas pelo Canadá, que têm como base uma lei americana datada da Grande Depressão, não permitem que Ottawa aplique as isenções do acordo, complicando ainda mais a situação.

Embora Carney receba amplo apoio da população canadense em sua postura, analistas políticos alertam que esse respaldo pode diminuir rapidamente à medida que os efeitos da guerra comercial se tornem mais evidentes. Uma pesquisa revelou que apenas 20% dos americanos apoiam as tarifas de Trump sobre produtos canadenses.

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