Toda pré-campanha tem seu ritual: descobre-se uma “inconsistência”, sobe-se à tribuna, aciona-se a militância digital — e, invariavelmente, o barulho é maior que o fato. Foi assim com a tentativa de desgastar a Fiep e seu presidente, Edson Vasconcelos, nas últimas semanas.
A munição usada foi um número: R$ 53 milhões supostamente gastos com jardinagem pela federação, quase 300% a mais que no ano anterior. Chamativo o suficiente para virar manchete, questionável o suficiente para não resistir a uma checagem. A Fiep explicou que se tratava de um erro de classificação no portal da transparência — parte dos serviços de facilities registrados na rubrica errada — e que o valor real gira em torno de R$ 4,3 milhões, distribuído por mais de 50 unidades do sistema em todo o estado.
O interessante não é o número, é quem o levantou e por quê. Denian Couto tentou primeiro, sem eco. Depois veio Marcelo Rangel, de Ponta Grossa, com discurso mais robusto — mas não por acaso: Rangel tem ambições municipais e quer abrir espaço na prefeitura hoje ocupada por Elizabeth Schmidt. Enfraquecer Vasconcelos, peça cotada para reforçar a chapa de Sérgio Moro ao Palácio Iguaçu, serve a interesses que vão muito além de jardinagem.
O resultado prático foi o oposto do pretendido: a explicação técnica da Fiep esvaziou a narrativa, entidades como a Feturismo saíram em defesa da federação, e Vasconcelos termina o episódio com capital político maior do que tinha antes. No fim, o que se viu não foi um escândalo — foi a abertura, ainda em março, do jogo de xadrez que vai definir outubro.