Desafios climáticos e econômicos podem impactar mercado de soja até 2027

O atual cenário do setor agrícola brasileiro é marcado por dificuldades financeiras, com crédito elevado e endividamento significativo entre os produtores. Contudo, há perspectivas de mudança para o ciclo 2026/2027, impulsionadas por fatores como a diminuição da oferta global de grãos e estoques reduzidos, além de riscos climáticos que já se manifestam em várias regiões do planeta.

Alexandre Mendonça de Barros, economista e sócio da E&Y, destaca que os ciclos de preços no agronegócio tendem a se repetir a cada três a quatro anos, alternando entre períodos de alta e de baixa. Ele aponta que o Brasil tem desempenhado um papel crucial na ampliação da oferta global, com um aumento significativo na área plantada e na produtividade, resultando em cerca de 50 milhões de toneladas de grãos disponíveis no mercado internacional, o que pressionou os preços para baixo.

Mendonça de Barros alerta que os efeitos das mudanças climáticas já são evidentes em várias partes do mundo. Na Europa, a seca severa impacta as safras de trigo e milho, enquanto Nos Estados Unidos, a pecuária e o cultivo de algodão também enfrentam condições adversas. Além disso, as expectativas de produtividade para milho e soja estão sendo afetadas por essas condições climáticas. Para ele, essas situações não são previsões, mas realidades que já estão ocorrendo.

No Brasil, os modelos meteorológicos indicam a possibilidade de eventos climáticos significativos na próxima safra, com redução das chuvas prevista para os meses de novembro e dezembro, especialmente nas regiões do Centro e Nordeste. O economista traça um paralelo com o fenômeno de El Niño de 2015, que causou perdas de até 50% a 60% nas safras em algumas áreas. Ele observa que regiões como o Nordeste, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e o Norte do Mato Grosso têm hoje uma importância maior em termos de área plantada do que em 2015.

Para o mercado de soja, Mendonça de Barros apresenta um cenário binário, onde a alta dos preços pode beneficiar inicialmente os produtores. Ele afirma que a melhora nas cotações tende a influenciar positivamente o mercado de crédito, refletindo em maior rentabilidade para o setor. Contudo, a situação no Nordeste pode ser diferente, dependendo do comportamento das chuvas na região.

O economista acredita que a área plantada No Brasil não deverá aumentar nos ciclos atuais ou seguintes, devido ao passivo financeiro acumulado, o que pode contribuir para a manutenção de preços elevados por um período de dois a três anos, possibilitando uma nova capitalização do agronegócio brasileiro. "Vejo um ciclo positivo à frente", conclui Mendonça de Barros.

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